Compromisso com o saneamento em Várzea Grande
Várzea Grande iniciou a discussão do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) durante audiência pública realizada na noite do dia 12. A prefeita Flávia Moretti assumiu o compromisso de enfrentar os desafios históricos relacionados ao abastecimento de água e ao esgotamento sanitário, destacando que gestões anteriores ignoraram as exigências da legislação do setor. “Vocês vão conhecer tudo o que foi estudado em um ano e quatro meses. Nenhum gestor teve a coragem de fazer isso que pede a Lei do Saneamento Básico. Daqui em diante, fazendo a parte técnica, estamos enfrentando o desafio que outros não tiveram coragem de encarar”, afirmou a prefeita.
Pressão dos órgãos de fiscalização e papel da população
Durante o evento, Flávia Moretti ressaltou a responsabilidade assumida com a cidade e a importância da água para a vida e dignidade dos moradores. “Eu sei o problema de cada bairro”, frisou. A secretária de Assuntos Estratégicos, Ina de Maria, reforçou a centralidade dos moradores no debate: “Essa noite é um marco porque sabemos que o maior problema de Várzea Grande é a falta de água. A pessoa mais importante nesta audiência é a população, que sente na pele essa falta”. A prefeita também chamou a atenção para a legalidade de todas as etapas do PMSB e convocou a população e órgãos de controle para fiscalizarem o cumprimento das metas do plano. “Após essa audiência e de levantarmos todas as demandas apresentadas, vamos encaminhar para a Câmara de Vereadores para que se torne lei”, explicou.
Reforço institucional e desafios financeiros
A audiência contou com a presença de autoridades que destacaram a gravidade do cenário e os próximos passos para o município. O vereador Raul Curvo, presidente da Comissão de Água e Esgoto da Câmara e servidor do DAE, apoiou a concessão do departamento, ressaltando a importância da aprovação do plano para os 300 mil habitantes da cidade. “A Câmara precisa ajudar a aprovar esse plano, pois vamos entregar um recurso natural importante nas mãos da iniciativa privada para resolver o problema”, pontuou.
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Sérgio Ricardo, presidente do Tribunal de Contas do Estado, citou dados do estudo da FIPE que apontam um cenário de abandono histórico. “Várzea Grande ficou abandonada por séculos sem planejamento, e isso não é culpa da atual gestão. Precisamos tratar de investimentos na casa dos bilhões e buscar ações emergenciais”, declarou. Luciane Vilela, promotora do Ministério Público, reforçou a necessidade de planejamento contínuo com metas claras e recursos previstos para que os órgãos de controle possam cobrar a execução. Rogério Nascimento, da Agência Reguladora, destacou o caráter inédito da fiscalização no estado, afirmando que Várzea Grande é o único município acompanhado de perto pela Ager neste processo.
Investimentos e serviços em andamento
Flávia Moretti detalhou os avanços já realizados pela gestão na área de saneamento, incluindo a busca por recursos, recuperação de estruturas, obras, conserto de vazamentos, ampliação de redes e construção de novos reservatórios. “Já investimos R$ 7,99 milhões em equipamentos, concluímos a adutora entre a Estação Pari e o Morro do Urubu, com R$ 11,98 milhões, e estamos construindo cinco novos reservatórios, com investimento de R$ 16,39 milhões”, afirmou.
Além disso, foram citados avanços no esgotamento sanitário, instalação de hidrômetros, regularização de ligações e reparo de mais de 2.200 vazamentos. A prefeita também lembrou do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) Aliança pela Água, que prevê R$ 60 milhões para ações emergenciais e investimentos na recuperação do sistema, recursos que estão sendo executados pelo Governo do Estado.
