Milho no Vale do São Lourenço: Um Crescimento que Marca Gerações
Na Fazenda Helena, localizada em Juscimeira (MT), o cultivo do milho acompanha uma trajetória de transformação agrícola no Vale do São Lourenço. O pioneirismo de Osvaldo Pasqualotto, que iniciou o plantio após a soja, marcou o início de uma cultura que, inicialmente, tinha pouca expressão econômica na região, mas que hoje é peça-chave no planejamento das lavouras e na rentabilidade da propriedade.
Desde 1982, quando a família Pasqualotto adquiriu a fazenda, Osvaldo, engenheiro elétrico formado em Cuiabá e natural de Cruz Alta (RS), acompanhou de perto as mudanças na infraestrutura, no manejo e na tecnologia agrícola que impulsionaram a produção no estado. Nesses primeiros anos, a estrutura era limitada, com parte da área ainda sem abrir para o plantio e sem energia elétrica, contando principalmente com o esforço familiar para expandir as lavouras e consolidar o negócio. O nome da fazenda homenageia Helena, mãe de Osvaldo, que participou ativamente desses primeiros passos.
Transformações na Agricultura e na Região
O desenvolvimento da agricultura local esteve alinhado ao progresso do Vale do São Lourenço. A chegada da energia elétrica, a melhoria das estradas e o estabelecimento de grandes tradings facilitaram o dia a dia no campo e o escoamento da produção. Nesse contexto, o milho começou a ganhar importância, principalmente por sua contribuição para a qualidade do solo, ainda que o retorno financeiro fosse modesto.
Osvaldo lembra que a relação da família com o campo é profunda: “A agricultura está no sangue da gente”, diz ao Especial Mai Milho. Esse vínculo se fortaleceu com o trabalho constante e os desafios enfrentados ao longo das décadas, consolidando uma tradição que ultrapassa gerações.
Do Cultivo Experimental à Cultura Rentável
A introdução do milho se deu por meio de experimentos após a colheita da soja, mesmo com limitações de maquinário e janelas agrícolas apertadas. A produtividade inicial variava entre 30 e 40 sacas por hectare, mas a percepção de melhora no solo incentivou a continuidade do cultivo.
Naquela época, o consumo de milho em Mato Grosso era reduzido, e o custo do transporte para grandes centros consumidores encarecia a operação. Assim, o milho tinha pouco impacto financeiro na fazenda. A situação mudou nos anos 1990, com a expansão da demanda estadual e avanços logísticos.
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O aprimoramento das variedades de soja, com ciclos mais curtos, possibilitou antecipar a colheita e abrir espaço para o milho segunda safra. A expansão do setor de etanol também elevou o protagonismo do milho no estado.
Hoje, o planejamento agrícola prioriza a janela para o milho, que, segundo Osvaldo, nos últimos dois anos tem superado economicamente a soja na fazenda. “Ele passou a ser a cultura principal, o que não era perceptível no passado”, destaca.
Avanços Tecnológicos e Produtividade
O salto na produtividade é notável. A produção, que antes girava em torno de 50 a 60 sacas por hectare, atualmente ultrapassa 140 sacas na Fazenda Helena. Isso se deve ao melhoramento genético, práticas avançadas de plantio e colheita, além do uso otimizado de insumos.
Osvaldo atribui grande parte desse avanço à genética do milho, mas ressalta que o manejo adequado é igualmente decisivo. “A genética do milho é o principal motor da produtividade atual”, afirma ao Canal Rural Mato Grosso, lembrando também o impacto positivo da adubação e do plantio eficiente.
Sua formação em engenharia elétrica contribuiu para aplicar um raciocínio técnico na gestão agrícola, integrando conhecimento teórico e prática na tomada de decisões sobre produção e investimentos.
Sucessão Familiar e Preservação dos Valores Rurais
A continuidade do empreendimento está assegurada pela participação dos filhos e sobrinhos, que ingressaram na agricultura enquanto estudavam agronomia. Para Osvaldo, o envolvimento prático desde cedo é fundamental para garantir a sucessão.
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Ele reforça que não existe fórmula pronta para esse processo, mas destaca a importância de integrar os jovens nas atividades do campo. Seu próprio pai trilhou caminho semelhante, deixando a agricultura aos 60 anos para se dedicar à pecuária, permitindo que a nova geração assumisse os negócios agrícolas.
A preservação ambiental também é parte desse legado. A Fazenda Helena mantém cuidados rigorosos com áreas de preservação permanente e o curso d’água que corta a propriedade, reforçando o compromisso com a sustentabilidade.
O orgulho de Osvaldo reside no amor pelo campo demonstrado pelos filhos. “Não existe negócio diferente de uma propriedade rural, uma fábrica ou empresa, se você não tem paixão pelo que faz”, conclui.
Para ele, a produção de alimentos e a conservação da terra são responsabilidades que caminham lado a lado. A atividade rural, segundo Osvaldo, representa uma contribuição direta para a sociedade, ao gerar algo útil e essencial.
Na Fazenda Helena, a história do milho ilustra essa combinação de experiência, inovação e continuidade familiar. De uma cultura experimental em pequenas áreas, o milho tornou-se vital para as decisões e o futuro de uma nova geração de produtores no Vale do São Lourenço.
