Reconhecimento à cafeicultura indígena e familiar em Mato Grosso
O café cultivado por indígenas de Rondolândia ganhou destaque ao conquistar cinco premiações no 1º Concurso de Qualidade do Café de Mato Grosso, realizado em Juína. O evento reuniu mais de 500 participantes e expositores de produtos da agricultura familiar, como queijos e doces, reforçando a diversidade e qualidade da produção local.
Promovido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT), em parceria com o Sebrae-MT e com suporte técnico da Empaer, o concurso teve como objetivo valorizar os produtores, reconhecer a excelência dos grãos e expandir a presença do café Robusta Amazônico nos mercados regional, nacional e internacional.
“O foco é valorizar o café mato-grossense, incentivar práticas sustentáveis, abrir novos mercados e garantir mais renda às famílias que vivem da produção rural”, explicou Andreia Fujioka, secretária de Estado de Agricultura Familiar.
Trajetória e papel econômico da cafeicultura no estado
A programação teve início em junho, em Colniza, maior produtor de café do estado, e culminou em Juína, cidade que teve a cafeicultura como importante base econômica entre os anos 1980 e 1990. Para o prefeito de Colniza, Milton Amorim, a iniciativa representa oportunidade de crescimento para os produtores locais. “Agradecemos ao Governo do Estado, à Seaf, à Empaer e ao Sebrae pela parceria. Quem não participou deste ano deve se preparar para as próximas edições, pois essa experiência abre portas para novos negócios.”
Paulo Veronese, prefeito de Juína, ressaltou o resgate da atividade na região. “O café sustentou a economia local por décadas e agora retoma sua relevância. É motivo de orgulho sediar um concurso que valoriza nossos produtores e evidencia a qualidade do nosso café.”
Atualmente, o estado conta com 29 municípios produtores e mais de 400 famílias envolvidas na cafeicultura. Nesta primeira edição, o concurso recebeu inscrições de produtores de 16 municípios, evidenciando o potencial de expansão do setor.
Produção indígena e assistência técnica fazem a diferença
Os indígenas Miguel Suruí e Rafael Gameb Suruí, de Rondolândia, receberam duas premiações cada. Miguel conquistou o primeiro lugar nas categorias Café Premiado e Excelência Suprema, esta última dedicada ao melhor café entre os melhores. Rafael ficou em segundo lugar em ambas as categorias.
Representando a Cooperativa de Produção e Desenvolvimento do Povo Indígena Paiter Suruí (Coopaiter), Rafael destacou a importância do reconhecimento. “Essa conquista reflete o nosso trabalho cotidiano e é uma forma de mostrar a qualidade do nosso café.”
O extensionista da Empaer-MT, Hayath Alves, acompanha os produtores desde 2020 e atribui a evolução à assistência técnica, que introduziu adubação adequada, irrigação e manejo sustentável. “Antes, a produção era de 30 a 40 sacas por hectare. Hoje, alguns produtores ultrapassam 100 sacas por hectare, com uso de produtos biológicos que reduzem químicos na lavoura. Essa premiação é motivo de motivação e comprova o avanço do trabalho.”
Além de Miguel e Rafael, Naraykoalab Suruí, também de Rondolândia, foi premiado em terceiro lugar na categoria Café Fermentado, reforçando a qualidade da produção indígena.
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Vencedores do 1º Concurso de Qualidade do Café de Mato Grosso
Café Fermentado
1º Lugar: Miguel Suruí – Rondolândia/MT – 87,67 pontos
2º Lugar: Rafael Gameb Suruí – Rondolândia/MT – 86,67 pontos
3º Lugar: Naraykoalab Suruí – Rondolândia/MT – 85,42 pontos
Café Natural por Clone
1º Lugar: Cícero Leandro da Silva – Juara/MT – 86,50 pontos
2º Lugar: Kleberson Moises Arce – Aripuanã/MT – 83,83 pontos
3º Lugar: Josimar Bredel – Colniza/MT – 83,58 pontos
Café Natural Blend
1º Lugar: Avelino Tiago da Silva – Paranaíta/MT – 86,17 pontos
2º Lugar: José Sergio Filho – Alta Floresta/MT – 84,33 pontos
3º Lugar: Ivaldo Gomes de Araújo – Aripuanã/MT – 83,25 pontos
Excelência Suprema
O prêmio máximo foi para Miguel Suruí, destacando o melhor café entre os melhores.
