Novas Cidades e a Demografia de MT
Em 2000, Mato Grosso contava com uma população de aproximadamente 2,5 milhões de habitantes distribuídos em 126 municípios, incluindo a capital, Cuiabá. Aquele ano foi marcado por eleições municipais que resultaram na criação de 13 novas cidades, uma estratégia do Governo para ocupar áreas com baixa densidade populacional. Além disso, partidos políticos visavam conquistar as prefeituras e câmaras que surgiriam com as novas municipalidades.
As cidades que nasceram desse processo incluem Curvelândia, Vale de São Domingos, Conquista D’Oeste, Colniza, Rondolândia, Santa Rita do Trivelato, Nova Santa Helena, Santo Antônio do Leste, Nova Nazaré, Bom Jesus do Araguaia, Serra Nova Dourada, Novo Santo Antônio e Santa Cruz do Xingu. Esses novos municípios reúnem cerca de 73 mil habitantes, representando 1,88% da população total de 3.893.659 de Mato Grosso e ocupando uma área de 75.902 km², equivalente a 8,40% do território do estado.
Impactos Sociais e Econômicos
Embora os números possam parecer modestos, eles refletem a realidade de um estado onde 69 municípios possuem menos de 10 mil habitantes, e 37 deles têm população abaixo de cinco mil. A criação dessas novas cidades foi vista como um passo positivo para a paz social no estado, contribuindo para a mitigação das tensões históricas relacionadas à posse da terra, que eram intensas nas décadas de 1980, 1990 e início dos anos 2000. A falta de presença do Estado em diversas regiões acentuava conflitos por terras, muitos dos quais foram afetados pela criação dos novos municípios.
A emancipação dos municípios, formalizada em 1º de janeiro de 2001, também impulsionou a regularização fundiária, que continua sendo um desafio na atualidade. Após a formação das 13 novas cidades, Mato Grosso viu surgir mais três: Itanhangá e Ipiranga do Norte, estabelecidos em janeiro de 2005, e Boa Esperança do Norte, cuja instalação está prevista para janeiro de 2025. Os dois primeiros originaram-se de programas de assentamento do Incra, enquanto Boa Esperança do Norte decorreu de uma ocupação espontânea que atraiu investimentos.
Desafios em Infraestrutura e Saúde
Apesar da criação das novas cidades ter contribuído para a economia local, a infraestrutura ainda apresenta graves deficiências, particularmente nas áreas de saúde e segurança. A população frequentemente recorre ao chamado ‘Dr. Ambulância’, serviço essencial que leva pacientes a hospitais regionais, como no caso de Santa Cruz do Xingu, que regulamente encaminha pacientes para o Hospital Regional Paulo Alemão, em Água Boa, a 480 km de distância, sendo 130 km sem pavimentação na BR-158. Já Rondolândia, completamente isolada, precisa enviar seus doentes a Ji-Paraná (RO) por uma estrada parcialmente pavimentada de 80 km.
Crescimento Econômico e Oportunidades Futuras
O Produto Interno Bruto (PIB) dos 13 novos municípios totaliza R$ 5,89 bilhões, o que representa 2,16% do PIB de Mato Grosso, estimado em R$ 273 bilhões. Dentre eles, Santa Rita do Trivelato destaca-se com um PIB de R$ 1,34 bilhão, seguido por Santo Antônio do Leste, com R$ 1,31 bilhão, e Bom Jesus do Araguaia, que alcança a marca de R$ 1 bilhão. A renda per capita desses municípios também impressiona; Santa Rita do Trivelato, por exemplo, apresenta um valor de R$ 409.443,61, posicionando-se como uma das maiores do Brasil.
Apesar dos avanços, a realidade ainda é desafiadora. Muitos municípios carecem de infraestrutura básica e serviços públicos adequados. No entanto, há perspectivas de crescimento, especialmente com projetos como a construção da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), que passará por Nova Nazaré, prometendo atrair investimentos para a região.
Além disso, a obra de uma ponte sobre o rio Juruena, com 1.360 metros de extensão, está em andamento e irá conectar Rondônia ao Pará, passando por Mato Grosso. Essa ponte é vista como a maior do estado e pode estimular ainda mais a atividade econômica.
Assim, enquanto algumas cidades se destacam na produção agrícola, como Santa Rita do Trivelato e Santo Antônio do Leste, outras enfrentam desafios diários, inclusive na segurança alimentar. A pecuária extensiva, por exemplo, é uma atividade marcante em Rondolândia, Vale de São Domingos e Bom Jesus do Araguaia. A construção do Contorno Leste, que visa desviar o tráfego da BR-158 da Terra Indígena Marãiwatsédé, também representa um avanço significativo para a conectividade e acesso às áreas urbanas.
