Transformação econômica impulsionada pela celulose
Por muito tempo, a faixa de terra arenosa entre o Rio Paraná e Campo Grande foi vista como um desafio para a agropecuária em Mato Grosso do Sul. O pecuarista Laucídio Coelho Neto, ex-presidente da Acrissul, lembra que a pecuária “ia mais ou menos, porque a terra deixava a desejar”. Porém, foi justamente nesse território, considerado difícil para o cultivo, que o estado encontrou uma nova vocação econômica: a produção de celulose por meio do cultivo de eucalipto.
Expansão rápida e industrialização do setor florestal
Em entrevista ao podcast AgroRaiz Cast, Coelho Neto destaca que a expansão do eucalipto trouxe uma força inédita para a região. Mato Grosso do Sul já conta com mais de um milhão e meio de hectares dedicados ao cultivo dessa árvore, e essa área segue crescendo rapidamente. O setor florestal se consolidou com três grandes fábricas de celulose em funcionamento e outras duas em implantação, gerando um impacto direto na atividade econômica do estado.
Um exemplo marcante é a fábrica da Suzano, inaugurada em 2024 em Ribas do Rio Pardo, que é a maior planta de celulose em linha única do mundo. Para abastecê-la, são necessários cerca de 600 mil hectares de eucalipto. Também em expansão, o Projeto Sucuriú, da chilena Arauco em Inocência, representa um investimento de US$ 4,6 bilhões, com capacidade anual prevista de 3,5 milhões de toneladas e início de operação estimado para o fim de 2027.
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Diversificação econômica e valorização da terra
Coelho Neto observa que a celulose é a fase mais recente da diversificação econômica que transformou Mato Grosso do Sul. A pecuária foi a base inicial, seguida pela agricultura na virada dos anos 1970 para os 1980, com o cultivo de soja e milho impulsionado pelos gaúchos. Depois vieram as usinas de cana e o etanol de milho, e agora o crescimento das florestas plantadas fortalece o perfil agroindustrial do estado.
Essa diversificação tornou a economia mais sólida, ao mesmo tempo em que valorizou a terra, o que exige que a pecuária seja mais eficiente para se manter competitiva. Segundo ele, essa mudança eleva o potencial produtivo do setor e abre novas oportunidades de negócios e empregos.
Perspectivas de crescimento e liderança nacional
Projeções do setor florestal indicam que a área plantada em Mato Grosso do Sul continuará crescendo de forma acelerada, com o estado disputando a liderança nacional em florestas plantadas, atualmente ocupada por Minas Gerais. O avanço do cultivo de eucalipto e a instalação de grandes indústrias de celulose refletem uma transformação profunda na economia regional, com impacto direto na geração de renda, na produção e no emprego em Mato Grosso do Sul.
