Tradição mato-grossense ganha reconhecimento internacional
A cultura popular de Mato Grosso ultrapassa fronteiras e abre um novo capítulo no reconhecimento mundial do folclore brasileiro. Dois dos principais grupos de siriri do estado colocam em evidência a tradição mato-grossense no cenário global, mostrando que as manifestações culturais nascidas às margens do Rio Cuiabá hoje encantam plateias em diversos continentes.
No último sábado (1º), o Grupo Flor Ribeirinha conquistou seu quinto título internacional ao vencer o 27º Campeonato Mundial de Folclore, realizado em Istambul, na Turquia. Representando o Brasil, o grupo emocionou jurados e público com um espetáculo que destacou o siriri, a viola de cocho e as tradições culturais de Mato Grosso.
Flor Ribeirinha: mais de três décadas valorizando as raízes
Com mais de 30 anos de atuação, o Flor Ribeirinha tornou-se uma das maiores referências da cultura popular brasileira. O título em Istambul soma-se às conquistas obtidas em festivais internacionais na Turquia (2017), Polônia (2021), Bulgária (2022) e Coreia do Sul (2023), consolidando uma trajetória marcada pela valorização das raízes mato-grossenses.
“Acreditamos sempre no nosso trabalho, na nossa luta e na nossa história. Amamos o que fazemos e sabemos que tudo isso é fruto de toda essa trajetória que a Flor Ribeirinha tem, de todo o amor que colocamos no nosso trabalho. Mas essa emoção de conquistar mais um título para o nosso Mato Grosso e para o Brasil é única. Ainda estamos em êxtase, em choque por tudo isso”, afirmou o diretor Avinner Silva.
Originário da tradicional comunidade de São Gonçalo Beira Rio, em Cuiabá, o Flor Ribeirinha transformou elementos da cultura regional em um espetáculo reconhecido internacionalmente, preservando tradições e reafirmando a identidade brasileira por meio da música, da dança e da religiosidade popular.
Leia também: Transporte Gratuito Facilita Acesso ao Mato Grosso AgroFestival em Cuiabá
Leia também: Projeto Quintais de Tradição: Turismo Cultural Comunitário Valoriza Espaços Populares de Cuiabá
Flor de Atalaia inicia turnê internacional com foco na inclusão social
Enquanto o Flor Ribeirinha celebrava sua conquista, outro importante representante da cultura mato-grossense iniciava uma missão desafiadora. O Grupo de Siriri Flor de Atalaia embarcou para a “Turnê Internacional Siriri por Toda Parte – 2026”, que levará o grupo a Portugal e Espanha durante 40 dias.
A programação inclui mais de 40 apresentações em seis festivais internacionais, além de oficinas, intercâmbios culturais e encontros com artistas e comunidades locais. A delegação é formada por 30 jovens entre 15 e 35 anos, em sua maioria negros e moradores de bairros periféricos de Cuiabá, cujas histórias foram transformadas pela cultura popular.
Mais do que apresentações artísticas, a iniciativa se configura como um importante projeto de inclusão social e valorização da juventude. Toda a experiência será registrada para a produção de um videodocumentário inédito, que retratará a trajetória do grupo entre Portugal e Espanha, preservando a memória dessa jornada histórica.
Repertório diverso e homenagens culturais no palco
O espetáculo preparado pelo Flor de Atalaia reúne algumas das mais importantes manifestações culturais brasileiras. Além do siriri, o repertório contempla cururu, rasqueado, samba, carimbó, lundu marajoara, forró e danças de matrizes africanas.
Um dos momentos mais emocionantes é a encenação “O Santo Negro Pantaneiro e o Milagre do Renascimento”, homenagem ao Pantanal inspirada na figura de Vigilato Canuto e na entrada de Nossa Senhora do Pantanal. Com a mensagem “Salve o Pantanal” estampada no manto da santa, a apresentação une fé, cultura e conscientização ambiental em defesa do maior bioma mato-grossense.
Leia também: Circula Cultura MS 2024: 25 Mil Pessoas em 42 Municípios de Mato Grosso do Sul
Leia também: Programação Imperdível em Mato Grosso: Multiação e Diversão para Toda a Família
Os figurinos também refletem a identidade regional. Inspirados nas araras que sobrevoam diariamente a sede do grupo, no bairro Parque Atalaia, as peças apresentam cores vibrantes e movimentos que remetem ao voo das aves, simbolizando a força da natureza e da cultura brasileira.
Valorização da cultura e orgulho da tradição
Para os integrantes do Flor de Atalaia, a viagem representa muito mais do que uma oportunidade artística. “No palco, dançamos mais do que uma coreografia: dançamos nossa cultura, história e tradição. Tenho amor profundo pela dança. Minha paixão é dançar o siriri, que é onde minhas raízes encontram minha voz e cada passo conta a história do meu povo. Tenho orgulho de carregar essa cultura no peito e representar o siriri por onde eu passar”, afirma o dançarino Victor Souza.
A expectativa da organização é alcançar mais de 10 mil pessoas entre público presencial e digital, fortalecendo redes internacionais de cooperação cultural e ampliando o reconhecimento das manifestações populares de Mato Grosso.
Siriri: da tradição regional ao palco mundial
As trajetórias do Flor Ribeirinha e do Flor de Atalaia mostram que o siriri deixou de ser apenas uma manifestação tradicional regional para ocupar espaço entre as grandes expressões culturais do mundo. Ao conquistar títulos internacionais e levar espetáculos para os principais festivais da Europa e Ásia, os grupos reafirmam o papel da cultura popular como instrumento de inclusão social, preservação da memória, diplomacia cultural e fortalecimento da identidade brasileira.
Mais do que medalhas e aplausos, essas conquistas simbolizam o reconhecimento de um povo que mantém vivas suas raízes e mostra ao mundo que a riqueza cultural de Mato Grosso continua dançando, cantando e emocionando plateias muito além das fronteiras brasileiras.
