Visita à Casa da Isabel destaca a preservação cultural em Cuiabá
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, esteve em Cuiabá (MT) na última segunda-feira (15) para conhecer a casa histórica da família de Dona Isabel, um imóvel centenário que passou por um processo de restauração financiado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e coordenado pelo Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Localizada no Largo do Rosário, no centro histórico da cidade, a residência tem mais de 100 anos e pertence à família Carvalho há gerações.
A recuperação do imóvel, que enfrentava sérios problemas de degradação, foi realizada com técnicas tradicionais de construção, valorizando o conhecimento local e contando com a participação ativa da comunidade e dos estudantes universitários. Parte da obra utilizou tijolos de adobe produzidos conforme saberes tradicionais da região, reforçando a integração entre patrimônio e saberes populares.
Programa Conviver amplia políticas de preservação para além dos monumentos
Durante a visita, Margareth Menezes ressaltou que o Programa Conviver, uma iniciativa do Iphan, amplia o alcance das políticas de preservação ao incluir não só grandes monumentos, mas também residências familiares de valor histórico que, de outra forma, não teriam condições de custear a restauração. Segundo a ministra, essa abordagem aproxima a política cultural das comunidades e das histórias que dão significado à memória dos territórios.
“Sempre o patrimônio histórico foi mais atendido para as grandes obras. Mas como é que a gente faz isso para cuidar de todo o povo? Na gestão do Iphan, foi criada essa política, chamando as universidades, chamando as pessoas, dando esse sentido de valorização, de ter todo mundo contribuindo”, explicou Margareth.
Gestão colaborativa e formação são pilares do Conviver
O Programa Conviver se estrutura por meio dos Canteiros-Modelo de Conservação, que funcionam em parceria com instituições públicas de Ensino Superior. Nestes espaços, professores, estudantes, moradores e técnicos trabalham juntos em ações de conservação, restauro, educação patrimonial e assistência técnica gratuita. A iniciativa é voltada especialmente para territórios históricos onde vivem comunidades de baixa renda, promovendo uma gestão colaborativa do patrimônio cultural.
O presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão, destacou que a visita da ministra foi uma oportunidade de observar os resultados concretos da política pública. Ele enfatizou que o programa alia preservação, formação acadêmica e participação social. “Tudo que tem sido feito aqui tem sido feito envolvendo a comunidade”, afirmou.
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Participação comunitária marca o processo de restauração
A participação dos moradores locais foi fundamental para a reconstrução da casa. Dona Isabel lembrou que a colaboração da população, junto aos alunos da UFMT, foi intensa durante o trabalho realizado no pátio da igreja próxima ao imóvel. Emocionada, ela compartilhou o temor de perder a casa que guardava memórias de várias gerações de sua família.
“Eu pensava que meu neto ia ficar desprotegido. E aquilo doía muito. Nós estamos muito gratos de estar vivos, porque hoje a gente vai poder novamente estar aqui. Meus netos, meus filhos foram criados aqui, nós fomos criados aqui”, contou.
Apesar de lamentar que sua mãe não tenha vivido para ver a recuperação, Dona Isabel celebrou a retomada do espaço para a família. Ela espera que projetos como esse continuem beneficiando outras famílias que não teriam condições de realizar uma restauração semelhante.
Patrimônio cultural como identidade e desenvolvimento local
Para Margareth Menezes, a história da Casa da Isabel mostra como a preservação do patrimônio cultural está ligada à dignidade, identidade e qualidade de vida das pessoas. A ministra apontou que cuidar do patrimônio material e imaterial fortalece o sentimento de pertencimento e pode impulsionar o turismo, a economia local e a geração de emprego e renda.
“Quando você apresenta um patrimônio bem cuidado, isso gera turismo, gera emprego. A memória é necessária para a gente saber de onde vem e para onde vai. A partir do momento que você cuida do patrimônio material e imaterial, você está dando pertencimento, está dando identidade”, ressaltou.
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Fonte: alagoasinforma.com.br
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Fonte: cidaderecife.com.br
Ela também destacou o papel do Governo do Brasil na retomada das políticas culturais e na viabilização de ações que chegam diretamente à população. “A gente tem que agradecer ao presidente Lula, porque, quando ele traz o Ministério da Cultura, ele nos dá condição de fazer isso. Essas ações também fazem parte da melhoria da vida do povo”, concluiu.
Largo do Rosário: um território de memória e resistência
O Largo do Rosário, onde está localizada a Casa da Isabel, é uma área de grande importância para a história de Cuiabá e do Brasil. O conjunto urbano, formado no século XVIII em torno da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, tombada pelo Iphan, guarda memórias fundamentais da presença negra na formação da cidade.
A permanência das famílias e a conservação dos imóveis históricos nesse território ajudam a preservar não só a paisagem urbana, mas também os laços culturais, afetivos e comunitários que se construíram ao longo do tempo.
Políticas públicas que chegam às comunidades
Ao visitar a casa restaurada, Margareth Menezes reforçou que o foco da gestão cultural é fazer com que as políticas públicas cheguem às pessoas que mais necessitam. “Nossa intenção é que cada vez mais as políticas cheguem também a quem mais precisa. Esse é o nosso olhar. É uma alegria estar aqui comemorando esse momento com a família, com a universidade e com as pessoas da cidade de Cuiabá. Para mim, está sendo um momento especial”, afirmou a ministra.
A entrega da Casa da Isabel consolida o Programa Conviver como uma política de preservação que une memória, educação, assistência técnica, participação social e cidadania. Mais do que restaurar paredes e fachadas, o programa fortalece o direito das comunidades de permanecerem em seus territórios históricos e de serem protagonistas da preservação da própria história.
