Desastres naturais no RS e a importância da defesa civil
O Rio Grande do Sul enfrenta uma diversidade de desastres naturais que vão desde enchentes e deslizamentos de terra até estiagem, granizo e tornados. Segundo o coronel Luciano Boeira, coordenador Estadual da Defesa Civil, o Estado reúne praticamente todos os tipos de desastres previstos na Cobrade, a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres, que organiza esses eventos em categorias como geológicas, hidrológicas e meteorológicas.
Essa variedade coloca o RS em uma posição complexa, semelhante ao CID usado na medicina, um sistema criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para padronizar diagnósticos. No caso dos desastres, o Estado é um laboratório vivo das mudanças ambientais, testando a capacidade de adaptação da população e dos órgãos responsáveis. Diante desse cenário, restam duas alternativas: ficar apreensivo ou agir para se preparar.
Clima Summit: capacitação e mobilização em Erechim
Optando pela ação, um grupo de voluntários, especialistas, pesquisadores e gestores públicos do Alto Uruguai promoveu entre os dias 31 de outubro e 2 de novembro, em Erechim, o 1º Clima Summit – Treinamento de Resposta a Desastres e Encontro de Voluntários. O objetivo foi capacitar gestores públicos, equipes da Defesa Civil, profissionais de emergência e voluntários para melhorar a resposta a desastres naturais.
Durante o evento, que contou com a mediação do coronel Boeira, especialistas destacaram pontos críticos para a segurança da população. Um deles foi o baixo número de pessoas cadastradas para receber alertas por SMS da Defesa Civil, o que compromete a eficácia das notificações em situações de risco. Também foi ressaltada a necessidade de uma coordenação eficiente entre os diferentes órgãos durante desastres para evitar conflitos e desorganização.
Além disso, a mudança cultural da população foi tema central. Segundo Ronaldo Manica, presidente da Força Voluntária Alto Uruguai, é fundamental que as pessoas entendam a importância de seguir os alertas e realizem evacuações preventivas quando solicitadas. O meteorologista Rafael Santana ressaltou ainda o papel dos dados científicos confiáveis para previsões precisas, alertando para os riscos causados por falhas em sensores, como as estações do Inmet, que recentemente apresentaram erros.
Temas que marcam o encontro e o compromisso local
Até o encerramento no domingo (2), o Clima Summit abordou diversas temáticas relevantes, incluindo o Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID), o uso de drones e o processamento de dados em situações de emergência, o sistema de comando de incidentes, o gerenciamento de abrigos, atendimento a pessoas com transtorno do espectro autista, comunicação em emergências e cuidados com animais em catástrofes.
Essa troca de experiências e treinamentos não surgiu do nada. A Força Voluntária do Alto Uruguai atua desde 2013 e já enfrentou eventos desafiadores, como a grande queda de granizo em novembro do ano passado, que atingiu quase 20 mil pessoas. O trabalho desses voluntários alimenta um sentimento de segurança e preparo diante dos riscos climáticos.
Saí do evento satisfeito com o espírito comunitário demonstrado e a cultura de prevenção que está sendo construída em Erechim. Em um país que ainda dedica pouca atenção à segurança e previsibilidade, o exemplo local mostra que é possível mudar a forma como reagimos às emergências climáticas. Embora não possamos alterar a realidade do clima, podemos aprimorar nossa resposta e reduzir os impactos no cotidiano da população.
