Crítico das casas de apostas, presidente do Cuiabá expõe opinião sobre uso dos recursos
O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, tem uma visão firme e contrária ao investimento das casas de apostas no futebol brasileiro. Sócio-proprietário do clube desde 2011 e à frente da presidência nos últimos três anos, Dresch optou por manter o time sem patrocínio master vinculado às plataformas de apostas, mesmo diante da pressão do mercado. A decisão ganha ainda mais relevância com a recente medida provisória assinada pelo presidente Lula, que limita a atuação das casas de apostas no país.
O clube do Mato Grosso teve uma breve parceria com a Luck.bet, que durou menos de um ano e se encerrou no final de 2022. Na ocasião, a empresa pagava R$ 800 mil para exibir sua marca nos calções do time. Desde então, a diretoria do Cuiabá decidiu não aceitar novas propostas desse tipo.
Impacto das apostas na rotina dos funcionários e postura do clube
Dresch relata que, durante a parceria com a Luck.bet, percebeu um efeito negativo entre seus funcionários. Muitos passavam o dia apostando em jogos como o Tigrinho, o que afetava a produtividade e o orçamento pessoal. “O funcionário trabalha durante a semana e recebe no final da semana ou até diariamente. Isso cria uma falsa ilusão, levando ao vício e prejuízo financeiro”, explica o dirigente.
Na avaliação do presidente, o problema das apostas ultrapassa o futebol e atinge a população que depende do salário mínimo, que começa a destinar parte do dinheiro para essas atividades, comprometendo sua renda.
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Crítica à aplicação dos recursos das casas de apostas pelos clubes
Enquanto vários clubes se manifestaram contra a medida do governo que restringe as operações das casas de apostas, alegando que isso representa o “fim do futebol brasileiro”, Dresch mantém uma postura contrária. Ele acredita que o discurso é exagerado e que, na prática, os recursos das bets não foram usados para fortalecer as estruturas dos clubes.
“O que os times fizeram com esse dinheiro? Aumentaram o salário dos jogadores, transferindo mais renda para eles. Ninguém investiu em infraestrutura ou quitou dívidas”, avalia. Para ele, exemplos como São Paulo, Corinthians e Santos mostram que a situação financeira desses clubes permanece complicada, mesmo com o aporte das casas de apostas.
Defesa da medida provisória e crítica à regulamentação das apostas
Dresch apoia a Medida Provisória assinada por Lula, que proíbe as operações de cassinos online e apostas esportivas no Brasil, embora considere que a regulamentação poderia ter sido mais eficaz. Ele destaca que a propaganda das casas de apostas é excessiva e que muitas delas atuam de forma clandestina.
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“É difícil acabar com esse negócio do dia para a noite. Sou a favor da MP, mas não acredito que isso vá eliminar as apostas”, comenta o presidente do Cuiabá.
Cuiabá mantém patrocínios alinhados ao agronegócio e mira novo parceiro master
O clube segue há quase dois anos sem um patrocinador master. A última empresa a ocupar esse espaço na camisa foi a Drebor, companhia de artefatos de borracha pertencente à família Dresch. Mesmo sem o patrocínio principal, o time registra valores de patrocínio semelhantes ou superiores aos de clubes da Série B.
Com forte ligação ao agronegócio, o Cuiabá utiliza o espaço na camisa para promover iniciativas locais. Em jogo recente contra o Goiás, a camisa exibiu a frase “Movido a etanol”, reforçando o apoio à produção de biocombustíveis no Mato Grosso. Segundo Dresch, essa estratégia aproxima o clube de empresas do setor, com expectativas de fechar um patrocínio master com uma delas em breve.
