Críticas do presidente do Cuiabá ao Santos
O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, não poupou críticas ao Santos nesta quarta-feira (23) ao abordar o delicado cenário financeiro dos clubes brasileiros. Ele questionou a postura de equipes que acumulam dívidas e, mesmo assim, continuam investindo em reforços para seus elencos. O dirigente citou diretamente o Peixe, que foi condenado a pagar R$ 18,6 milhões ao clube mato-grossense em um processo envolvendo o zagueiro Joaquim.
Dresch destacou que clubes como Santos e Vasco conseguem permanecer na Série A apesar das pendências financeiras, classificando essa situação como “estelionato esportivo”. “O Santos, da mesma forma, a gente vê o Vasco também, que deu um calote gigantesco, vai permanecer na Série A através de um estelionato esportivo. É muito grave, ruim para equipes como Mirassol, ruim para o Remo, que está com tudo em dia e vai cair”, declarou à ESPN.
Condenação e cobrança por Joaquim
A declaração do presidente do Cuiabá veio um dia após a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) condenar o Santos a pagar R$ 18.616.377,46 ao clube mato-grossense. A dívida está ligada à contratação do zagueiro Joaquim, realizada em fevereiro de 2023, e a valores decorrentes da posterior venda do atleta ao Tigres, do México, em 2024.
Segundo o Cuiabá, o acordo para o pagamento foi renegociado e dividido em cinco parcelas, sendo que apenas a primeira teria sido quitada pelo Santos. O clube acionou a CNRD em maio de 2025, e o Peixe ainda pode recorrer ao Centro Brasileiro de Mediação e Arbitragem (CBMA).
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Divergência sobre investimentos do Santos
Com base nessa pendência, Dresch questionou os investimentos feitos pelo Santos enquanto mantém essa dívida. Ele citou nominalmente as contratações dos jogadores Arthur e Everton Cebolinha, que custam cerca de R$ 2 milhões por mês ao clube.
“Como um clube que deve R$ 18 milhões ao Cuiabá contrata um jogador pagando R$ 2 milhões por mês? Nomes como Arthur e Cebolinha, que vão fazer diferença na tabela de classificação. Foram lá em Belém e ganharam do Remo, vão ficar na Série A. Como você acha que o Mirassol se sente?” questionou o dirigente.
Pedido por punições esportivas a clubes inadimplentes
Dresch defendeu que as punições para clubes com dívidas não devem ficar restritas às sanções financeiras. Para ele, é necessário aplicar penalizações esportivas, como perda de pontos, para coibir o que classificou como um mercado sem regulação.
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“Esse problema existe porque vivemos em um mercado sem regulação e sem punição. O transfer ban hoje está se mostrando insuficiente. Precisa haver perda de pontos. O Corinthians, se estivesse ameaçado de perder três pontos, já teria tirado esse dinheiro de algum lugar. O Santos também”, afirmou.
Trajetória do zagueiro Joaquim e impacto financeiro
O zagueiro Joaquim foi contratado pelo Santos em 2023, vindo diretamente do Cuiabá. O Peixe pagou inicialmente cerca de 3 milhões de euros pelo atleta e adquiriu uma parcela adicional dos direitos econômicos após o jogador atingir uma meta prevista em contrato.
Em julho de 2024, Joaquim foi vendido ao Tigres, do México, por cerca de 8 milhões de dólares. Ele segue atuando no clube mexicano. Durante sua passagem pelo Santos, o zagueiro disputou 66 partidas e marcou seis gols. A negociação com o Tigres também envolveu valores que afetaram a divisão dos direitos econômicos entre Santos e Cuiabá.
