Prefeito minimiza domínio na Câmara e reconhece união em torno de Ilde Taques
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), respondeu com ironia à análise de que perdeu o controle da base na Câmara Municipal, após os 27 vereadores apoiarem unanimemente a eleição de Ilde Taques (Podemos) para a Presidência da Casa. Apesar da composição praticamente unânime, o prefeito enfatizou que nunca teve controle sobre os vereadores e assegurou manter uma relação positiva com o Legislativo.
Durante visita à Câmara, ao ser questionado se a votação unânime indicava a perda total do comando da base construída no início do mandato, Abilio respondeu: “Demonstra justamente isso. A gente perdeu totalmente o controle da base, a gente não tem mais controle de ninguém, nunca teve. Então a gente percebeu que 27 vereadores, inclusive minha esposa agora, né, está junto com eles. Poxa”.
União dos vereadores é vista como sinal de maturidade política
O prefeito afastou a possibilidade de ruptura e classificou a união dos vereadores em torno de Ilde Taques como um reflexo da maturidade política no Legislativo. “Lógico que não. A gente tem uma relação muito boa com o Poder Legislativo. E faz parte do jogo. Se uma chapa não consegue formalizar o número de votos suficiente para ganhar a eleição, monta-se um projeto de composição, porque o Parlamento não pode ficar dividido, não vai ficar brigando”, afirmou.
Brunini destacou que a adesão dos vereadores que inicialmente apoiavam outro projeto político representa o reconhecimento da maioria construída por Ilde para vencer a disputa. “Isso só demonstra que eles têm maturidade política, de saber reconhecer a vitória do outro. E a forma, acho que mais correta de reconhecer a vitória do outro, em vez de ficar fazendo briga, é reconhecer o trabalho do outro e a vitória do outro”, declarou.
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O prefeito parabenizou Ilde Taques e os vereadores que aderiram ao grupo vencedor. “Parabéns ao Ilde Taques, à vitória que ele conseguiu, à composição dos números de votos necessários e parabéns aos demais vereadores que estavam em outro projeto, que, de forma madura, conseguiram reconhecer a vitória do outro de uma forma positiva no processo eleitoral”, destacou.
Prefeito nega articulação e reforça independência do Legislativo
Questionado sobre sua participação na articulação para que vereadores da base apoiassem Ilde, Abilio negou envolvimento direto e reiterou que nunca teve controle sobre a Câmara. “Eu nunca tive o controle da Câmara, isso é bom deixar claro. Se eu tivesse controle da Câmara, não seria dessa forma que teria os resultados”, afirmou.
Ele classificou o Legislativo cuiabano como um órgão autônomo e independente, lembrando que parlamentares da base já manifestaram críticas públicas à gestão. “A Câmara sempre foi muito autônoma, sempre foi independente, sempre teve muita liberdade. Tanto que, muitas vezes, saíam matérias: ‘vereador da base está batendo no prefeito’. Nunca teve nenhuma restrição de vereador da base bater na gente”, declarou.
Manutenção da relação com a Câmara e foco na Assembleia Legislativa
Abilio descartou mudanças na relação com o Legislativo após a eleição de Ilde. Ao ser questionado sobre a frequência com que acompanha as sessões, disse que continuará participando das atividades, embora pretenda intensificar visitas à Assembleia Legislativa. “Eu venho mais porque minha esposa está aqui. Agora eu vou frequentar um pouco mais a Assembleia Legislativa. Mas, em todo caso, pretendo continuar vindo à Câmara Municipal. Acho que não existe nenhuma ilegalidade nisso, é um processo natural”, afirmou.
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O prefeito ressaltou que vereadores frequentam diariamente a Prefeitura e considera natural a reciprocidade com visitas ao Legislativo.
Legislativo independente mantém rotina mesmo com nova Mesa Diretora
Sobre a votação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027 sob uma Mesa Diretora independente, Abilio afirmou que essa situação não é novidade para a gestão. “A Mesa Diretora é independente, a de hoje também. Então, assim, só para você ter noção, a Mesa Diretora de hoje tem quatro vereadores que são de outro lado político na Mesa. Só a Paula, nessa composição, está ao nosso lado hoje. Então, eu já vivo com isso. Não vai mudar muita coisa, não. A gente já está acostumado”, declarou.
O prefeito minimizou o impacto caso a nova Mesa reduza a quantidade de projetos do Executivo votados em regime de urgência, afirmando que essa decisão cabe aos vereadores. “A decisão é deles. Não sou eu que coloco os projetos em regime de urgência. Eu mando o projeto para cá. Quem coloca o projeto em regime de urgência são os vereadores”, explicou.
Prefeito rejeita ideia de ser refém da Câmara e diferencia eleições
Abilio também descartou a possibilidade de se tornar refém da Câmara com a posse da nova Mesa, prevista para 2027, e destacou que a disputa interna do Legislativo é distinta da eleição para a Prefeitura. “Não se trata de uma eleição de Mesa Diretora com uma eleição de prefeito da Capital. Eu acho que são questões totalmente distintas. Quem escolhe o presidente da Câmara são os vereadores, 27. Quem escolhe o prefeito de Cuiabá é a população inteira. Então, calma que tem chão aí”, afirmou.
