Espaço escolar se torna centro de inclusão esportiva
Na Emeb Maria Dimpina Lobo Duarte, em Cuiabá, a piscina semiolímpica ganhou um papel fundamental para além das aulas regulares. O local se transformou em um polo de iniciação esportiva e inclusão, especialmente para crianças e adolescentes com deficiência. A parceria entre a escola e o Centro de Referência Paralímpico de Cuiabá amplia o acesso ao esporte, beneficiando alunos da unidade e também participantes do centro.
Horários e modalidades diversificadas
As atividades na piscina são organizadas para atender diferentes públicos ao longo da semana. Nas terças e quintas-feiras, os estudantes da Emeb utilizam o espaço para aulas de natação. Já às segundas, quartas e sextas, a piscina é destinada ao Centro de Referência Paralímpico, que oferece aulas para crianças e adolescentes com deficiência intelectual, física e visual.
Enquanto a natação acontece na escola, outras modalidades esportivas, como atletismo, bocha, parabadminton, tiro com arco e tênis de mesa, são desenvolvidas no Complexo Dom Aquino, ampliando o leque de oportunidades para os participantes.
Atividades adaptadas e acompanhamento individual
A professora de Educação Física Kelly Regina da Silva Almeida coordena as aulas de natação, cujo foco é ampliar o acesso ao esporte para crianças com deficiência. O Centro Paralímpico mantém três polos em Mato Grosso, incluindo o de Cuiabá, fortalecendo a rede de atendimento especializado.
O projeto também inclui a chamada “aquatividade” para crianças autistas matriculadas na escola. Essas atividades são realizadas de forma lúdica, facilitando a adaptação ao ambiente aquático, incentivando a interação social e promovendo estabilidade emocional. Cada turma é composta por até 12 crianças, garantindo acompanhamento individualizado e segurança durante as aulas.
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Famílias relatam avanços no desenvolvimento
As famílias dos participantes reconhecem os benefícios do projeto. Claudinéia Domingas da Silva acompanha seu filho autista de 7 anos, que está no programa há cerca de dois meses. Após esperar por uma vaga, ela destaca que o acesso ao esporte gratuito representa uma grande conquista diante dos altos custos das atividades particulares.
“É um sonho, é muito caro pagar particular e não tenho condições. Sem dúvidas, é uma grande oportunidade. Ele já apresenta melhoras no comportamento. Precisaria de mais locais como este”, relatou Claudinéia.
Rosenda Silva Batista da Costa, mãe de um jovem de 26 anos com desenvolvimento semelhante ao de uma criança de 4 anos, também percebe avanços. O filho demonstra grande interesse pela natação, que contribui para seu desenvolvimento físico e psicológico, além de promover calma.
Beatriz Melo Oliveira compartilha a experiência com a filha de 13 anos, que tem deficiência intelectual e outras condições. Para ela, a natação melhorou a coordenação motora, o humor e ajudou na redução da obesidade. O acesso facilitado na escola, próximo de casa, evita deslocamentos mais longos para outras atividades em Várzea Grande.
Atendimento e potencial para formação de atletas
O Centro Paralímpico oferece seis horários diários para as aulas de natação: 8h, 9h e 10h pela manhã, e 14h, 15h e 16h no período da tarde. A quantidade de participantes varia conforme condições climáticas e de saúde, podendo atingir entre 30 e 40 crianças por período.
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Além da iniciação esportiva, a estrutura da piscina permite que participantes que se desenvolvem avancem para treinamentos especializados, focados no esporte de rendimento e competições, ampliando as possibilidades de formação de atletas paralímpicos.
Uso comunitário e impacto na rotina escolar
Anteriormente, a piscina também era utilizada aos domingos para atividades abertas à comunidade, incluindo esporte e lazer para adolescentes e jovens. Essas atividades estão suspensas temporariamente devido à necessidade de manutenção e organização das ações semanais.
Para a direção da Emeb, a presença da piscina influencia positivamente a rotina dos estudantes. A diretora Fernanda Rosa Alves de Lima ressalta que a prática da natação ajuda crianças neurodivergentes a controlar emoções e desenvolver autonomia.
“O esporte é uma das melhores formas de trabalhar sentimentos como perda, vitória, alegria e frustração. A natação acalma e proporciona bem-estar”, explicou Fernanda.
Com essa integração entre escola e Centro Paralímpico, a piscina se consolidou como um espaço de inclusão que aproxima crianças com e sem deficiência, democratizando o acesso a uma modalidade esportiva que muitas famílias não conseguiriam acessar em espaços privados.
