Desigualdade na Representatividade Feminina em Mato Grosso
Apesar de comporem a maior parte do eleitorado em Mato Grosso, as mulheres ainda enfrentam desafios significativos em termos de representatividade política. Dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) revelam que, dos aproximadamente 2,54 milhões de eleitores aptos a votar, cerca de 1,3 milhão são mulheres, correspondendo a 51% do total. Em contraste, os homens totalizam 1,24 milhão, ou 49% do eleitorado.
Ainda que as mulheres liderem em números, essa vantagem não se traduz em uma representação proporcional nos cargos eletivos. A situação é particularmente preocupante quando se analisam os resultados das eleições municipais de 2024 e das eleições gerais de 2022.
Resultados das Eleições Municipais de 2024
Nas eleições municipais de 2024, um total de 3.902 mulheres se candidataram, mas apenas 318 foram eleitas. Este número, embora ainda baixo, representa um avanço em relação ao passado: em 2024, 274 mulheres conquistaram cadeiras nas Câmaras Municipais, marcando um crescimento de 21% em comparação com 2020. No entanto, elas ainda ocupam apenas cerca de 20% das 1.404 vagas de vereador disponíveis no estado.
A situação se torna ainda mais alarmante quando se observa a presença feminina na liderança dos municípios. Apenas 13 mulheres foram eleitas prefeitas nas últimas eleições, uma queda em relação a 2020, quando 15 mulheres triunfaram em 142 municípios mato-grossenses. Por outro lado, o número de mulheres eleitas vice-prefeitas apresentou um leve avanço, com 31 mulheres tendo sido eleitas, sendo 30 no primeiro turno e a coronel Vânia confirmada no segundo turno em Cuiabá.
Barreiras na Política Estadual e Nacional
O cenário se torna mais restritivo nas eleições gerais. Em 2022, nenhuma mulher foi eleita para os postos de governadora ou senadora por Mato Grosso. O estado continuou sob a liderança masculina, com a reeleição de Mauro Mendes (União), enquanto Wellington Fagundes (PL) conquistou a vaga no Senado. A ex-primeira-dama Márcia Pinheiro (PV), a principal candidata feminina ao governo, terminou na segunda posição.
No que tange à representação na Câmara Federal, a situação também é preocupante, com apenas duas mulheres sendo eleitas entre as oito vagas disponíveis: Amália Barros (In memoriam) e Coronel Fernanda (PL). Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), a desigualdade se torna ainda mais evidente, com apenas uma mulher ocupando uma das 24 cadeiras: a deputada Janaína Riva (MDB), que, apesar disso, foi a parlamentar mais votada do estado nas últimas eleições.
Portanto, a realidade política em Mato Grosso evidencia uma discrepância significativa entre a composição do eleitorado e a representação efetiva das mulheres nas esferas de decisão. A luta por maior inclusão e representatividade feminina no cenário político ainda é um desafio a ser enfrentado por toda a sociedade.
