Desafios Fitossanitários e Econômicos na Safra de Soja
O estado de Rondônia inicia 2026 com um cenário agrícola que mistura oportunidades de produtividade com sérios alertas fitossanitários. A sequência de chuvas intensas em dezembro, que ultrapassou os 400 mm em algumas áreas, dificultou a aplicação de defensivos durante a fase crítica de estabelecimento da soja. Essa situação eleva o risco de disseminação da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi), uma das doenças mais impactantes para a cultura, capaz de comprometer a produtividade em até 90% quando não há um controle efetivo.
Desde sua identificação no Brasil em 2001, a ferrugem asiática tornou-se a principal preocupação sanitária para a soja. O manejo dessa doença é complexo e demanda ações contínuas, como o monitoramento rigoroso, a aplicação de fungicidas e o uso de cultivares parcialmente resistentes. Essas estratégias, embora necessárias, geram altos custos de produção — estimativas recentes sinalizam que o controle da ferrugem pode ultrapassar US$ 2 bilhões por safra no Brasil, considerando tanto os defensivos quanto as perdas de produtividade.
Crescimento das Ocorrências em 2025
Dados do Consórcio Antiferrugem revelam que, no início da safra 2025/26, foram registradas mais de 144 ocorrências da doença, com um aumento significativo em comparação ao ano anterior. Embora Rondônia não esteja entre os estados com o maior número de focos históricos, as condições climáticas recentes exigem uma vigilância ainda mais rigorosa neste início de ano.
Do ponto de vista econômico, a proliferação de doenças como a ferrugem asiática se insere em um contexto onde as margens de lucro no setor já estão bastante pressionadas. Os custos com fertilizantes e defensivos impactam diretamente a rentabilidade dos produtores. Em situações de alta severidade da doença, os prejuízos podem ultrapassar R$ 6 mil por hectare, um valor que representa uma expressão significativa da renda bruta de uma plantação de soja.
Logística e Desafios na Safra
A logística, que é um elemento crucial para a competitividade no estado, também apresenta desafios. O início de operação de um novo pedágio na BR-364, o principal corredor para o escoamento de soja e milho em Rondônia, deve elevar os custos de transporte justamente na hora em que a safra começa a chegar aos mercados. Este fator adiciona mais complexidade a um cenário onde os custos de produção já estão elevados, e os preços internacionais enfrentam flutuações.
Especialistas ressaltam a importância de uma abordagem integrada que una vigilância sanitária, manejo de pragas e estratégias comerciais para minimizar os impactos da ferrugem asiática e garantir um fluxo competitivo de grãos. Essa gestão vai além da técnica, englobando decisões sobre a aplicação de fungicidas, uso de tecnologias de previsão de risco e logística para evitar perdas tanto no campo quanto no transporte.
Clima e Fitossanidade: Um Desafio Permanente
A ferrugem asiática, devido à sua capacidade de adaptação e à necessidade de intervenções frequentes com fungicidas, é um exemplo claro dos riscos que podem surgir da intersecção entre clima, fitossanidade e os mercados. Com um clima caracterizado por alta umidade e temperaturas amenas, a doença compromete a capacidade fotossintética da soja e pode levar à queda precoce das folhas, afetando a formação de grãos.
Em Rondônia, a combinação de chuvas intensas, mudanças na logística e margens de lucro reduzidas evidencia a necessidade de uma gestão de riscos robusta no setor. Políticas públicas que ofereçam suporte para mitigar os impactos fitossanitários e os custos de escoamento são essenciais. O desempenho do estado na safra 2025/26 poderá indicar como regiões fora dos grandes polos tradicionais estão se adaptando a esses desafios.
