Cenário Econômico Complicado
O início de 2026 trouxe novos desafios financeiros para os moradores de Cuiabá. Com a cesta básica ultrapassando a barreira dos R$ 800, a situação exige um esforço financeiro considerável para os consumidores. Apesar dos índices positivos nas exportações e na produção agrícola, a realidade nas prateleiras dos supermercados é alarmante. A capital mato-grossense, que se destaca no agronegócio, agora se encontra na quarta posição entre as cestas básicas mais caras do Brasil, com um custo médio de R$ 809,75.
Esse fenômeno econômico revela um paradoxo peculiar. Enquanto as exportações de carne apresentaram um crescimento de 47% em relação ao ano anterior, o impacto nos preços locais foi negativo, resultando em um custo elevado para os consumidores. O aumento substancial nos preços de itens como tomate e batata contribuiu para essa escalada nos custos, refletindo uma pressão inflacionária significativa.
O Panorama Nacional da Cesta Básica
A alta dos preços não é um problema exclusivo de Cuiabá. Segundo dados da Agência Brasil, com base em informações do Dieese e da Conab, em dezembro de 2025, 17 capitais brasileiras registraram aumento nos custos da cesta básica. O valor médio de R$ 791,29 posicionou Cuiabá em quarto lugar no ranking das capitais com as cestas mais caras, apenas um pouco abaixo de locais como São Paulo, onde a cesta atingiu R$ 845,95.
Além disso, o relatório detalha que, enquanto algumas capitais, como Porto Velho, mantiveram preços estáveis, outras, como Maceió, enfrentaram altas mais acentuadas. O cenário revela uma complexidade nos fatores que influenciam os preços, variando conforme a localidade e a oferta de produtos.
Variações no Setor Agrícola
O ano de 2025 foi, de certa forma, atípico para Mato Grosso. Wenceslau Júnior, presidente da Fecomércio-MT, ressalta que as oscilações nos preços foram incomuns, com uma alta inicial seguida por uma retração no segundo semestre. Esse comportamento resultou em uma variação negativa na cesta básica em comparação com o ano anterior, um fenômeno raro em análises históricas.
De acordo com Júnior, a queda observada foi influenciada principalmente pelos preços de alimentos menos processados e pelos produtos hortifrutigranjeiros, que apresentaram uma redução nos índices nos últimos meses do ano. Apesar de uma leve alta de 0,10% em dezembro, a estabilidade foi passageira, dando lugar a novas tensões no mercado.
Impactos da Safra em 2026
Com a chegada de 2026, os preços sofreram um novo aumento, impulsionado principalmente pela alta do tomate, que subiu 57,21% entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. O custo médio do produto chegou a R$ 7,43/kg, refletindo a escassez gerada por lavouras que ainda não estavam prontas para colheita. A batata também contribuiu para a pressão nos custos, com um aumento de 18,30%, alcançando R$ 4,67/kg.
Essas elevações de preços impactam diretamente o planejamento financeiro das famílias, que se encontram em uma situação delicada, tentando equilibrar o orçamento diante de aumentos significativos em itens essenciais.
Contrastes no Mercado de Carnes
Enquanto os vegetais enfrentam dificuldades, o setor de carnes vive sua própria realidade. A carne bovina de primeira, por exemplo, viu seus preços subirem em 25 das 27 capitais brasileiras, resultado do aquecimento da demanda tanto interna quanto externa, aliado a uma oferta restrita. Mato Grosso, um dos principais exportadores de carne, enfrenta uma contradição em que os preços internos sobem, mesmo com os recordes de exportação.
Wenceslau Júnior adverte que, mesmo com a queda em alguns itens da cesta básica, a média geral ainda apresentou alta, o que indica que a pressão sobre o consumidor é intensa, especialmente em produtos de maior volatilidade.
Alguns Alívios no Mercado
Nem tudo, porém, é notícia ruim. Pelo menos dois itens da cesta básica apresentaram queda: o feijão registrou uma diminuição de 2,47%, atingindo R$ 6,09/kg, enquanto o arroz também apresentou uma redução de 3,70%, custando R$ 4,61/kg. Marco Pessoz, presidente interino da Fecomércio-MT, sintetiza que a variação dos preços reflete o equilíbrio entre os produtos que enfrentam escassez e aqueles que têm uma oferta maior.
Desafios para o Trabalhador
O impacto dessa inflação nos preços básicos é sentido principalmente pelos trabalhadores que recebem o salário mínimo. Dados do Dieese mostram que, em dezembro de 2025, o valor necessário para manter uma família de quatro pessoas em Cuiabá era de R$ 7.106,83, uma realidade que compromete mais da metade da renda dos trabalhadores. Isso deixa pouco espaço para despesas adicionais, dificultando a sobrevivência até o próximo pagamento.
