Estabilidade na inadimplência em Mato Grosso do Sul
A inadimplência em Mato Grosso do Sul praticamente estagnou em setembro, com um aumento irrisório de 0,02%. Foram 203 novos consumidores negativados no mês, totalizando 1.325.626 inadimplentes, contra 1.325.423 em agosto, segundo dados da Serasa. Este é o menor crescimento observado no ano, indicando uma desaceleração importante na expansão das dívidas no Estado.
Apesar dessa estabilidade momentânea, o estoque total de consumidores com o nome sujo permanece acima de 1,32 milhão, acumulando alta de 59.027 negativados desde janeiro, quando o número era 1.266.599. A trajetória mensal mostra oscilações relevantes: fevereiro teve 8.478 novos negativados, março chegou a 16.858, abril caiu para 12.180, maio desacelerou para 2.871, e junho voltou a subir com 5.930 casos. Esse cenário traduz um ritmo irregular no endividamento ao longo do ano.
Influência das apostas virtuais na desaceleração da inadimplência
O economista Eugênio Pavão destaca que a paralisação das apostas virtuais, conhecidas como bets, pode ter sido um fator decisivo para essa desaceleração. Ele explica que os valores perdidos pelas famílias nessas apostas comprometiam o orçamento doméstico, especialmente para quem já enfrentava dificuldades financeiras.
“As perdas com apostas só agravaram o endividamento familiar, diminuindo a capacidade de pagamento das dívidas”, afirma Pavão, que compara a situação atual ao período após a proibição dos bingos no Brasil. Naquela ocasião, a medida não gerou benefícios financeiros para setores como clubes de futebol, que também sentiam a saída de recursos.
As apostas online, organizadas internacionalmente, tornaram-se um vício acessível individualmente, atraindo grupos diversos, incluindo empresários, donos de clubes e ex-jogadores. O fim dessas apostas interrompeu um fluxo constante de recursos que saíam da renda das famílias, colaborando para a estabilização da inadimplência, segundo Pavão.
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Confederação Nacional do Comércio alerta para riscos das apostas no endividamento
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) reforça essa análise, apontando que as apostas eletrônicas consumiram cerca de R$ 143 bilhões do comércio varejista entre janeiro e março. Esse valor equivale às vendas dos períodos de Natal de dois anos consecutivos.
Os gastos mensais com plataformas de apostas ultrapassaram R$ 30 bilhões, levando cerca de 270 mil famílias à inadimplência severa, caracterizada por atrasos superiores a 90 dias. Para a CNC, as apostas vão além do entretenimento e representam um risco econômico, desviando recursos que poderiam ser investidos no consumo e comércio locais.
Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, destaca que a pressão das dívidas força consumidores a cortar gastos essenciais, como trocar o celular ou comprar roupas, na tentativa de equilibrar o orçamento.
Serasa não confirma relação direta entre fim das apostas e inadimplência
Apesar dessas observações, a Serasa esclarece que não há estudos que comprovem uma conexão direta entre o encerramento das apostas online e a desaceleração da inadimplência. A instituição reforça a importância do planejamento financeiro e da organização do orçamento para evitar o aumento das dívidas.
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Mesmo com a estabilidade no número de negativados, o estoque total de dívidas em Mato Grosso do Sul seguiu crescendo em setembro. O número de débitos aumentou de 6.287.531 em agosto para 6.337.920 em setembro, um acréscimo de 50.389 dívidas. O valor total devido cresceu de R$ 11,27 bilhões para R$ 11,37 bilhões, enquanto a dívida média por consumidor passou de R$ 8.502,52 para R$ 8.581,12.
Retomada do consumo básico após proibição das apostas
A proibição das apostas virtuais também trouxe efeitos positivos para o consumo em supermercados, que apresentou alta de 6,5%, conforme dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O crescimento abrange supermercados, atacarejos e mercearias, com destaque para produtos essenciais como arroz, óleo, macarrão e café.
Eder Luís de Oliveira, presidente da Associação Sul-mato-grossense de Supermercados (Amas), observa que Mato Grosso do Sul ainda não vive mudanças expressivas no consumo, mas o processo tende a ser gradual. Ele projeta que, se a proibição seguir, as famílias devem redirecionar os recursos antes gastos com apostas para itens básicos, especialmente em supermercados.
Oliveira ressalta que o dinheiro investido nas apostas saía das despesas essenciais. Com o fim das bets, essa quantia deve retornar ao consumo local, embora o elevado endividamento da população possa frear essa recuperação.
