Cooperativas dominam o território sul-mato-grossense
O cooperativismo no Mato Grosso do Sul alcançou uma cobertura impressionante, estando presente em mais de 97% dos 79 municípios do estado. De acordo com o Panorama do Cooperativismo Sul-Mato-Grossense 2026, esse modelo de organização cresce junto com a economia local, influenciando diretamente a rotina econômica das cidades.
Em 2025, o estado registrou 145 cooperativas, com cerca de 738 mil cooperados e 17.121 empregos diretos gerados. Os ativos totais somaram R$ 38,57 bilhões, enquanto as receitas atingiram R$ 40,79 bilhões, demonstrando a força econômica do setor.
Impacto real na economia e no cotidiano dos municípios
Celso Ramos Regis, presidente do Sistema OCB/MS, destaca que essa capilaridade vai além da simples presença. As cooperativas atuam onde serviços tradicionais, como bancos e assistência técnica, são escassos. “Na prática, a cooperativa está presente onde o banco encerrou suas atividades, onde o produtor precisa de assistência técnica, onde faltam alternativas de crédito ou de acesso à saúde”, explica.
O cooperativismo já representa mais de 18% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado, um indicador que revela sua relevância em uma economia marcada pelo agronegócio e pela expansão de cadeias produtivas. Isso também reforça a importância da distribuição de serviços fora dos grandes centros urbanos.
Crescimento consistente e recuperação financeira
Entre 2024 e 2025, o número de cooperativas cresceu de 135 para 145, enquanto os empregos diretos aumentaram quase 10%. Após uma retração em 2024, as receitas do setor retomaram o crescimento, chegando a R$ 40,79 bilhões em 2025.
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Segundo Celso, esse avanço se deve à profissionalização da gestão e à confiança dos cooperados. “Outro diferencial importante é que a riqueza permanece no estado. São mais de R$ 40,8 bilhões em receitas movimentando a economia local, gerando mais de 17 mil empregos diretos e impulsionando o desenvolvimento das comunidades onde as cooperativas estão inseridas”, afirma.
Agropecuária e seu papel estratégico
O segmento agropecuário concentra 66 cooperativas e está presente em 60 municípios, com 28.731 cooperados e 10.533 empregos diretos. Em 2024, a atividade sofreu com impactos climáticos, o que resultou em queda nas receitas. Contudo, em 2025, houve recuperação de 17%, atingindo R$ 32,84 bilhões.
Durante as dificuldades, as cooperativas agropecuárias atuaram como suporte fundamental para os produtores, oferecendo apoio financeiro, renegociação de dívidas, assistência técnica e fortalecendo a comercialização. Celso ressalta que essa relação de confiança é essencial para a resiliência do setor: “Quanto mais forte estiver o produtor, mais forte será a cooperativa e toda a cadeia produtiva”.
Crédito cooperativo amplia acesso no interior
Com presença em 77 municípios, o ramo de crédito cooperativo reúne 697.573 associados, o maior contingente entre as áreas do estado. Essa capilaridade é especialmente relevante no interior, onde a oferta bancária tradicional é limitada.
Além de serviços financeiros, as cooperativas promovem a participação econômica e estreitam o relacionamento com os cooperados. O presidente do Sistema OCB/MS atribui esse crescimento à presença territorial, investimentos tecnológicos e condições competitivas: “Os resultados retornam para quem faz parte da cooperativa”.
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Os ativos das cooperativas de crédito somaram R$ 30,64 bilhões em 2025, com um aumento de 28% no número de cooperados nos últimos três anos, evidenciando a expansão e fortalecimento do setor.
Desafios e avanços na governança feminina
A expansão do cooperativismo também traz desafios. As mulheres representam 45,85% dos empregados e 40,83% dos cooperados, mas ocupam apenas 19,77% dos cargos de liderança. Para corrigir esse desequilíbrio, o Sistema OCB/MS lançou o programa Elas pelo Coop, focado na formação de lideranças femininas e incentivo à criação de comitês.
Celso ressalta que a diversidade é fundamental para a inovação e melhores resultados: “Ambientes mais diversos são mais inovadores, mais preparados para tomar decisões e geram melhores resultados”.
Cooperativismo como motor da economia sul-mato-grossense
O cooperativismo no Mato Grosso do Sul saiu da esfera setorial para se tornar uma rede de apoio produtivo, inclusão financeira e geração de oportunidades em quase todo o estado. O desafio para os próximos anos é manter essa presença diante da expansão das cadeias produtivas de soja, milho, algodão, pecuária, bioenergia, amendoim e citricultura.
Garantir a proximidade com os cooperados e responder às novas demandas da economia regional será fundamental para sustentar o crescimento e o impacto positivo do setor na renda, no emprego e na atividade econômica local.
