Queda no Endividamento das Famílias Cuiabanas
As famílias de Cuiabá seguem reduzindo o nível de endividamento, que passou de 84,4% em junho para 83,3% em julho, conforme dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Esse percentual representa aproximadamente 208,9 mil famílias na capital ainda comprometidas com dívidas.
Cresce a Inadimplência Apesar da Redução das Dívidas
No entanto, a inadimplência — ou seja, o número de famílias com contas atrasadas — apresentou aumento, crescendo de 15,6% em junho para 16,3% em julho. Isso significa que 40,9 mil famílias cuiabanas enfrentam dificuldades para quitar seus débitos no prazo correto.
Segundo o Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), esses números indicam uma recuperação gradual da saúde financeira das famílias, com queda no endividamento. Ainda assim, o avanço da inadimplência e a forte dependência do cartão de crédito evidenciam a necessidade de cautela na melhora das condições econômicas.
Perfil do Endividamento e Impactos no Consumo
A Peic revelou que quase metade dos entrevistados (49,1%) dizem ter poucas dívidas, enquanto 26,9% se declaram medianamente endividados e 7,3% muito endividados. Apenas 16,7% afirmam não ter dívidas.
O estudo da Fecomércio-MT destaca que o alto nível de endividamento limita o consumo das famílias, pois uma parte considerável da renda é destinada ao pagamento dessas obrigações financeiras.
Cartão de Crédito: O Principal Desafio Financeiro
O cartão de crédito continua sendo a principal fonte de dívida para as famílias cuiabanas, respondendo por 87,6% do total, mesmo com ligeira queda em relação ao mês anterior. Outras modalidades de dívida incluem carnês (20,3%), financiamentos de veículos (7,8%), crédito pessoal (7,5%), crédito consignado (5,7%) e financiamento imobiliário (5,1%).
Para o presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves, o uso do cartão de crédito deve ser consciente para evitar o risco crescente de inadimplência. Ele ressalta que os custos financeiros associados podem prolongar o ciclo das dívidas, dificultando a recuperação econômica das famílias.
Expectativas sobre Quitar as Dívidas e Tempo de Endividamento
Em relação à capacidade de quitar débitos atrasados, 37,9% das famílias não acreditam que conseguirão pagar o valor devido, 33,7% esperam conseguir pagar ao menos uma parcela e 27,3% acreditam que vão quitar toda a dívida. O percentual de famílias que não pretendem pagar seus débitos subiu para 6,2%, ante 5,8% em junho.
Quanto ao tempo de endividamento, 38,3% estão nessa condição há mais de um ano, 32% têm dívidas entre três e seis meses, 18,1% até três meses e 11,1% entre seis meses e um ano.
