Contexto da sobretaxa americana e exclusão dos principais produtos de MS
O recente aumento tarifário de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros terá efeito quase nulo nas exportações de Mato Grosso do Sul. Isso porque os principais itens exportados pelo Estado para o mercado americano ficaram de fora da lista de mercadorias que sofrerão a sobretaxa anunciada pelo governo de Donald Trump. Carnes bovinas, celulose, ferro-gusa, pescados, minérios e fécula de mandioca estão entre os produtos preservados, representando a maior parte da pauta exportadora sul-mato-grossense.
Crescimento das exportações para os EUA e perfil dos produtos
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) indicam que Mato Grosso do Sul exportou US$ 371,02 milhões para os Estados Unidos entre janeiro e junho deste ano, alta de 14% em comparação aos US$ 325,37 milhões no mesmo período de 2025. Em volume, o crescimento foi ainda mais expressivo, com 437,49 mil toneladas embarcadas no primeiro semestre, um aumento de 33,6% sobre as 327,39 mil toneladas exportadas em 2025.
Essa concentração nas exportações explica por que o impacto da nova tarifa tende a ser reduzido para o Estado. Carnes bovinas desossadas congeladas sozinhas representaram US$ 190,36 milhões no semestre, mais da metade do total exportado para os EUA. Este produto está na lista de exceções do governo americano, assim como o ferro fundido bruto, com US$ 74,23 milhões, e as pastas químicas de madeira (celulose), que somaram US$ 59,37 milhões.
Produtos preservados e setores afetados pela sobretaxa
Além das carnes desossadas, outros itens importantes da pauta exportadora de MS foram preservados: carnes bovinas frescas ou refrigeradas (US$ 20,08 milhões), sebo bovino (US$ 9,8 milhões), carnes processadas, tilápia, couro bovino, minério de ferro, fécula de mandioca, tapioca e demais produtos agroindustriais. A lista de exceções anunciada pelos EUA inclui carne bovina, pescados, celulose, ferro fundido, minérios, amidos, farinhas e vitaminas.
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Por outro lado, a sobretaxa americana incidirá principalmente sobre produtos industrializados, como máquinas agrícolas, etanol, vestuário, calçados, papel, açúcar orgânico e bens de capital, que têm participação menor nas exportações de Mato Grosso do Sul.
Contexto do comércio em 2025 e análise do impacto
Em 2025, os Estados Unidos importaram de Mato Grosso do Sul US$ 224,84 milhões em carnes bovinas congeladas, totalizando 44,6 mil toneladas. A celulose movimentou US$ 136,25 milhões, com 325,3 mil toneladas, enquanto o ferro-gusa representou US$ 68,51 milhões e 162,5 mil toneladas. O sebo bovino também teve destaque, com US$ 59,65 milhões e 56,1 mil toneladas, além das carnes bovinas salgadas, tilápia e couro bovino, todos incluídos na lista de exceções.
Avaliação do especialista sobre a decisão americana
Segundo Aldo Barrigosse, analista em comércio exterior, a ampla lista de produtos excluídos da sobretaxa evidencia que o governo americano buscou equilibrar a medida para evitar impactos inflacionários internos. “Produtos como carne bovina, café, ferro-gusa e peixe foram preservados porque sua taxação poderia elevar significativamente a inflação nos EUA, prejudicando a popularidade do presidente Trump”, explica.
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Barrigosse destaca ainda que os Estados Unidos enfrentam um cenário de inflação alta, juros elevados, custos maiores de energia e combustíveis, e um ambiente econômico desafiador. “Se esses produtos fossem tarifados, o impacto para as exportações brasileiras seria expressivo”, alerta.
Importância do mercado americano para Mato Grosso do Sul
O analista reforça a relevância do mercado americano para a cadeia da carne brasileira. “Até junho deste ano, o Brasil vendeu cerca de US$ 1 bilhão em carne bovina para os EUA, dos quais 20% partiram de Mato Grosso do Sul. Esse mercado é essencial, principalmente porque a China já absorveu praticamente toda a cota disponível.”
Embora a lista de exceções traga alívio, o mercado ainda enfrenta incertezas, com escalas de abate menores e preços voláteis. Mesmo assim, a exclusão dos principais produtos da sobretaxa evita um impacto mais severo para Mato Grosso do Sul, preservando a renda e os empregos ligados às exportações estaduais.
