O Império da Soja em Mato Grosso
Eraí Maggi Scheffer é apontado como o novo “Rei da Soja” ao comandar o grupo bom futuro, um dos maiores conglomerados agrícolas do país, com faturamento anual superior a R$ 6 bilhões. A empresa cultiva uma área impressionante de 700 mil hectares, produzindo 1,9 milhão de toneladas de grãos e 360 mil toneladas de algodão por ano. Além disso, o grupo opera 12 usinas hidrelétricas, três usinas fotovoltaicas e mantém o maior aeroporto privado do Centro-Oeste, consolidando sua presença estratégica na região, conforme informações da Gazeta do Povo.
Raízes no Oeste do Paraná e Expansão para Mato Grosso
A história de Eraí começou na década de 1970 em São Miguel do Iguaçu, Oeste do Paraná, onde a família cultivava apenas 65 hectares. Com a morte do pai em 1976, aos 18 anos, ele assumiu a gestão dos negócios familiares. A estratégia de arrendar terras vizinhas para otimizar o uso das máquinas permitiu ampliar a área cultivada para 100 alqueires em apenas cinco anos. Em 1982, vendeu a propriedade no Paraná e migrou para Mato Grosso, arrendando a Fazenda Bom Futuro, em Rondonópolis. O pagamento em sacas de soja ajudou a proteger o negócio contra a instabilidade econômica da época. A compra definitiva da fazenda em 1995 marcou o início da construção do império agrícola.
Estratégia de Produção e Diferenciação no Mercado
Nos anos 1990 e 2000, o Grupo Bom Futuro expandiu-se para Sapezal e Campo Verde, financiando aquisições com lucros operacionais. A instalação da primeira indústria de beneficiamento de algodão em 1998 reforçou a verticalização da produção. Enquanto seu primo Blairo Maggi direcionava a Amaggi para trading e exportação, Eraí focou na produção dentro da porteira, uma decisão que garantiu liderança no setor.
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Na safra 2009/2010, Eraí plantou 223 mil hectares de soja, superando os 168 mil hectares do grupo de Blairo. A adoção de agricultura de precisão elevou a produtividade para mais de 66 sacas por hectare, tornando o Grupo Bom Futuro referência para grandes tradings como Bunge, Cargill e até a própria Amaggi.
Financiamento em Dólar e Foco Exclusivo em Mato Grosso
Diferentemente de concorrentes que expandiram para o Matopiba, Eraí mantém 100% das operações no Mato Grosso, aproveitando o clima favorável para duas safras anuais. O financiamento em dólar elimina o risco cambial, alinhando-se ao preço das commodities, que são cotadas na moeda americana.
Durante a crise entre 2005 e 2007, período em que muitos produtores enfrentaram falência, o Grupo Bom Futuro agiu de forma contracíclica, adquirindo terras de grupos endividados. A área cultivada aumentou de 110 mil para 160 mil hectares em apenas dois anos. Em 2025, o grupo investiu R$ 1,8 bilhão à vista na aquisição de 43 mil hectares de fazendas do fundo Proterra. Recentemente, pagou R$ 871,25 milhões por 18,7 mil hectares da Radar, controlada pela Cosan, reforçando ainda mais sua presença no mercado agrícola.
Perspectivas e Comunicação
A Gazeta do Povo tentou contato com Eraí Maggi Scheffer por meio da assessoria do Grupo Bom Futuro, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria. O empresário segue consolidando seu império agrícola com foco na produtividade, inovação e expansão sustentável.
