Avanço na cardiologia mato-grossense
Na última quarta-feira (15), a cardiologia em Mato Grosso marcou um importante avanço com a realização do primeiro procedimento utilizando a tecnologia Sistema Makoto, no Hospital Santa Rosa, em Cuiabá. Esta inovação combina ultrassom intracoronário (IVUS) e espectroscopia por infravermelho (NIRS) em um único exame, proporcionando uma avaliação detalhada das artérias coronárias. O resultado é um diagnóstico mais preciso e um planejamento de tratamento personalizado para pacientes com doenças cardíacas.
Contexto das doenças cardiovasculares em MT
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Mato Grosso, causando cerca de 6 mil óbitos anuais, segundo dados do Ministério da Saúde (DataSUS). No cenário nacional, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) aponta que aproximadamente 400 mil pessoas morrem no Brasil todo ano devido a essas enfermidades. Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima 17,9 milhões de mortes anuais relacionadas a problemas cardiovasculares.
Equipe médica e o impacto do novo sistema
O procedimento pioneiro foi conduzido pelos cardiologistas intervencionistas Dr. Leandro C. Mandaloufas e Dr. Nelson Artur dos Reis, ambos do Hospital Santa Rosa. Dr. Leandro lidera a Linha Cardiológica e a Residência em Cardiologia da instituição, além de integrar a diretoria da Sociedade Brasileira de Cardiologia de Mato Grosso para o biênio 2026-2027. Já Dr. Nelson, com residência em clínica médica, cardiologia e hemodinâmica, atua na cardiologia intervencionista do hospital desde 2022.
Para os especialistas, a chegada do Sistema Makoto representa um salto importante para os pacientes da região. “O infarto continua sendo uma das principais causas de morte no mundo. Com essa tecnologia, entendemos melhor a doença de cada paciente e podemos tomar decisões mais precisas e individualizadas, garantindo mais segurança e qualidade no atendimento”, afirma Dr. Leandro.
Dr. Nelson reforça: “A precisão visual é fundamental na hemodinâmica. Esse sistema nos entrega dados detalhados em tempo real, otimizando o planejamento da intervenção e aumentando a segurança do paciente durante a cirurgia”.
Como o Sistema Makoto funciona
O Sistema Makoto atua como um scanner avançado das artérias coronárias, introduzido de forma minimamente invasiva durante o cateterismo. Ele une ultrassom intracoronário (IVUS), que detalha a anatomia da artéria, com espectroscopia por infravermelho (NIRS), que identifica placas ricas em gordura, fator associado a maior risco cardiovascular.
Enquanto exames tradicionais, como a angiografia, mostram o fluxo sanguíneo por contraste e raio X, o novo sistema revela características da parede arterial que normalmente passam despercebidas. “O ultrassom indica o tamanho real da artéria, o grau de calcificação e a expansão do stent, enquanto o NIRS detecta placas vulneráveis, que apresentam alto teor de gordura e instabilidade”, explica o cardiologista.
Importância para o tratamento e prevenção
Identificar placas vulneráveis é fundamental para prevenir novos eventos cardiovasculares, já que essas áreas são mais propensas a complicações. A combinação de IVUS e NIRS permite um tratamento mais personalizado e baseado em evidências, facilitando a escolha da melhor estratégia terapêutica para cada paciente.
Na prática, o Sistema Makoto auxilia na definição exata do diâmetro, comprimento e posicionamento do stent, além de verificar sua correta implantação, o que eleva a precisão da angioplastia. Estudos científicos indicam que o uso do ultrassom intracoronário resulta em melhores desfechos quando comparado à angiografia isolada, e a associação com a espectroscopia por infravermelho potencializa a identificação de placas perigosas.
Impacto para o sistema de saúde e pacientes
Com a introdução do Sistema Makoto, Mato Grosso passa a contar com uma tecnologia já utilizada em centros renomados mundialmente, ampliando as opções para diagnóstico e tratamento das doenças coronárias. Esse avanço fortalece a capacidade da rede pública e privada em atender pacientes com maior precisão e segurança.
Dr. Leandro destaca: “Essa ferramenta nos ajuda a compreender melhor a doença coronária e a tomar decisões fundamentadas, garantindo que o paciente seja o principal beneficiado desse progresso”.
Para a população, a inovação representa mais uma etapa rumo a uma medicina personalizada, que valoriza o cuidado individualizado e a prevenção efetiva, reduzindo riscos e melhorando a qualidade de vida.
