Caminhos Alternativos para Resolver Conflitos no Ambiente Militar
Em meio ao aumento da judicialização no Brasil, o Poder Judiciário tem buscado incentivar métodos que promovam a resolução pacífica de conflitos. Nesta segunda-feira (18), o juiz Wanderlei José dos Reis compartilhou com os militares do 18º Grupo de Artilharia de Campanha (18º GAC), em Rondonópolis, alternativas que priorizam o diálogo e a reconstrução das relações, por meio da autocomposição e da justiça restaurativa.
Um dos destaques do encontro foi o relato do tenente-coronel Joel Reis Alves Neto, comandante do 18º GAC, que demonstrou como os conceitos da Justiça Restaurativa têm sido aplicados na rotina da unidade militar. Para o magistrado, saber que esses ensinamentos já fazem parte do cotidiano do quartel é motivo de satisfação. “O comandante me contou que adotou fundamentos da Justiça Restaurativa no ambiente do quartel. Isso é extraordinário. Essa filosofia busca pacificar conflitos por meio do diálogo e da reconstrução das relações de forma mais humana”, explicou o juiz Wanderlei José dos Reis.
Fortalecendo o Ambiente Institucional com Diálogo e Respeito
O tenente-coronel Joel destacou que a Justiça Restaurativa tem impacto direto na melhoria das relações interpessoais entre os militares. “São ferramentas essenciais que promovem o diálogo, a escuta ativa e o respeito mútuo. Esses princípios não apenas auxiliam na resolução de conflitos, mas também colaboram para construir um ambiente mais equilibrado e colaborativo dentro da instituição”, afirmou o comandante.
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Essa mudança de paradigma, segundo o juiz, é crucial para alterar a cultura predominante no país, marcada pela litigiosidade. “No Brasil, ainda prevalece a cultura do litígio, onde muitos conflitos são levados diretamente para o Judiciário. Nosso objetivo é substituir essa cultura de guerra pela cultura da paz”, explicou o magistrado.
Métodos Humanizados para Conflitos Familiares e Comunitários
Além disso, o juiz Wanderlei ressaltou que a conciliação, a mediação e a Justiça Restaurativa promovem soluções mais profundas e humanizadas, especialmente em conflitos familiares, escolares e comunitários. “O juiz pode encerrar um processo judicial, porém, muitas vezes, o conflito humano permanece. A Justiça Restaurativa e a mediação atuam justamente na reconstrução do diálogo para que a paz seja efetivamente restabelecida”, argumentou.
O Papel Preventivo do Cejusc no Judiciário
Durante a palestra, o magistrado também explicou como funciona o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), que atua na prevenção e resolução de demandas antes da abertura de processos judiciais. “O Cejusc é uma unidade diferenciada do Judiciário, onde, muitas vezes, não há sequer um processo formal. O que existe é diálogo, escuta e a construção conjunta de soluções”, destacou.
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Fonte: acreverdade.com.br
Autocomposição como Ferramenta para a Paz Social
O juiz reforçou que o fortalecimento da autocomposição e das práticas restaurativas está alinhado à Política Nacional de Tratamento Adequado de Conflitos, instituída pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). “A missão do Judiciário é promover a pacificação social, e a autocomposição se tornou um instrumento fundamental para alcançar esse objetivo”, concluiu Wanderlei José dos Reis.
