Combate à Violência nas Escolas
A violência contra a mulher muitas vezes se inicia de maneira silenciosa, manifestando-se nos corredores escolares, em plataformas de jogos online, nos comentários anônimos das redes sociais e através de discursos de ódio que promovem uma masculinidade tóxica. Para abordar essa realidade alarmante, a Polícia Judiciária Civil, por meio da Coordenadoria de Polícia Comunitária e de projetos sociais, intensificou palestras em escolas de Cuiabá, focando na prevenção do bullying, do ciberbullying e da radicalização online.
A campanha de prevenção à violência virtual está sendo implementada nas salas de aula com um diálogo honesto e aberto, especialmente voltado para os alunos do ensino fundamental e médio. A meta não é apenas punir, mas também impedir a formação de novos agressores, desconstruindo a ideia de que “brincadeiras de mau gosto” são comportamentos normais ou inofensivos.
As Consequências Reais do Bullying
O investigador Ademar Torres de Almeida, que frequentemente realiza palestras em Cuiabá, enfatiza que o bullying e o ciberbullying são violações graves, com repercussões jurídicas e emocionais. Durante suas apresentações, utiliza recursos audiovisuais para ilustrar como apelidos, xingamentos, exclusão social e humilhações digitais não devem ser considerados como “diversão”.
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“Precisamos desmistificar a ideia de que ofender alguém com apelidos, isolar um colega ou espalhar boatos é aceitável. Isso é violência. E quando essa violência se expande para as redes sociais ou chats de jogos, seus efeitos se multiplicam. A Lei nº 14.811/2024 classifica o ciberbullying como ‘intimidação sistemática virtual’, o que significa que adolescentes podem ser responsabilizados por esses atos”, afirma o investigador.
Radicalização e o Perigo das Comunidades Online
Ademar Torres alerta para um aspecto preocupante identificado em suas interações com os jovens: a adesão a discursos de ódio contra meninas e mulheres, frequentemente associados a comunidades digitais misóginas, como a manosfera e a machosfera. Termos como Incel, Redpill e MGTOW têm sido associados a processos de radicalização que transformam frustrações em rancor e, em casos extremos, em violência.
“Quando percebemos um aluno reproduzindo discursos de ódio contra colegas ou defendendo que ‘mulheres merecem sofrer’, isso deve ser encarado como um sinal de alerta. Esse processo de radicalização começa online e pode culminar em atos de violência real. Por isso, a escola é um espaço crucial para interromper esse ciclo”, explica.
O Papel da Psicologia na Prevenção
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A atuação da Polícia Civil nas escolas é complementada por profissionais de psicologia. No Colégio Tiradentes da Polícia Militar, a psicóloga Renata observa de perto os resultados das palestras e rodas de conversa promovidas pelos investigadores. Ela acredita que a presença da polícia no ambiente escolar é essencial para esclarecer o tema e oferecer apoio a alunos e educadores.
“Muitas crianças e adolescentes não têm consciência de quando são vítimas ou agressores. O trabalho da Polícia Civil traz uma linguagem acessível que ajuda a desnaturalizar a violência, abordando desde o bullying físico até o ciberbullying, que inclui a difamação e a violação de intimidade”, compartilha Renata.
Legislação e Compromisso Coletivo
O delegado Mario Dermeval, coordenador da Polícia Comunitária, ressalta que as iniciativas nas escolas estão fundamentadas em importantes legislações. A Lei Estadual nº 9.724/2012 impõe a inclusão de medidas de conscientização sobre bullying nos projetos pedagógicos de Mato Grosso, enquanto a Lei Federal nº 13.185/2015 estabelece o Programa de Combate à Intimidação Sistemática.
As palestras abordam diversas formas de bullying, que vão além do físico, incluindo bullying psicológico, moral, verbal, sexual, social e o cyberbullying, evidenciando que a violência pode ocorrer em múltiplos contextos.
Ação Coordenada para Mudança
O investigador Nilton César Cardoso, gerente de Polícia Comunitária, enfatiza que as ações da Polícia Civil em Cuiabá estão alinhadas a projetos sociais e ao Programa Escola Segura, com foco na prevenção e na educação transformadora. Ao final das palestras, a mensagem é clara: a responsabilidade pela construção de um ambiente seguro nas redes sociais e nas escolas é coletiva.
Agendamento de Palestras
As escolas de Cuiabá, tanto públicas quanto privadas, que desejarem agendar palestras sobre bullying, ciberbullying e prevenção à violência virtual podem entrar em contato com a Polícia Civil. As ações oferecidas são gratuitas e destinadas a alunos do ensino fundamental e médio.
