Clínica Irregular e Atendimentos Proibidos
Uma enfermeira foi presa em Cuiabá por exercer ilegalmente a profissão de médica em uma clínica estética no bairro Jardim Europa. Segundo a Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), a unidade funcionava sem o alvará sanitário necessário e realizava procedimentos invasivos, como PRP (Plasma Rico em Plaquetas), ozonioterapia e soroterapia, que são práticas estritamente reservadas a médicos. Apesar de seu registro como enfermeira, a profissional atendia pacientes, colocando em risco a saúde e a integridade deles.
Durante uma fiscalização na clínica, agentes encontraram medicamentos vencidos, produtos importados sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e até substâncias proibidas, como a toxina botulínica de origem sul-coreana. O armazenamento de alguns desses itens era inadequado, evidenciando a falta de controle sanitário.
O delegado Rogério Ferreira destacou a precariedade das condições em que a clínica operava, mencionando a ausência de controle de resíduos e de biossegurança. “Essas situações expõem os pacientes a riscos graves”, afirmou Ferreira.
Riscos à Saúde dos Pacientes
A polícia relatou que a manipulação de sangue em um ambiente não regulamentado poderia levar a infecções severas, necrose e até morte. A situação se agravou ainda mais após a interdição da clínica pela Vigilância Sanitária. Mesmo assim, a investigada continuou realizando atendimentos clandestinamente em outros locais e tentou abrir uma nova unidade sem a devida autorização.
As autoridades também descobriram que a enfermeira se apresentava nas redes sociais como “Dra.”, promovendo procedimentos estéticos em áreas como rosto, glúteos e seios. Para isso, ela exigia o pagamento antecipado, utilizando o sistema de transferências via Pix.
Consequências Legais e Novas Investigações
Além da prisão, a Justiça tomou medidas rigorosas, determinando a interdição da clínica, a suspensão do CNPJ, o bloqueio das redes sociais e o afastamento do registro da profissional junto ao Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso. Essa situação revela a seriedade das irregularidades na área estética e a necessidade de uma maior fiscalização.
A enfermeira já tinha um histórico criminal por tráfico de drogas e estava usando uma tornozeleira eletrônica no momento de sua detenção. As investigações continuam, e a polícia não descarta a possibilidade de novas operações contra outros profissionais da estética que estejam atuando fora da legalidade.
