Impactos do Conflito Internacional no Preço dos Combustíveis
No dia 28 de setembro, o Sindipetróleo de Mato Grosso participou de uma audiência pública na Assembleia Legislativa, convocada pelo deputado Faissal Calil (PL). O principal tema da discussão foi o recente aumento nos preços dos combustíveis no estado, que tem sido amplamente impactado pela escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, refletindo nas dinâmicas do mercado internacional do petróleo.
O presidente do Sindipetróleo, Claudyson Martins Alves, conhecido como Kaká, juntamente com o diretor executivo Nelson Soares Júnior e o empresário Ramsés Castoldi, representaram a entidade no debate. Durante a audiência, Kaká ressaltou que a situação geopolítica pode complicar ainda mais a estabilidade no abastecimento de combustíveis no Brasil, enfatizando o risco de escassez caso o conflito se intensifique.
O líder do sindicato destacou que os postos de combustíveis não devem ser responsabilizados pelos aumentos repentinos, uma vez que não têm controle sobre os preços praticados. Segundo ele, esses estabelecimentos são o último elo na cadeia de abastecimento e simplesmente repassam os preços definidos pelas distribuidoras. “É importante frisar: o posto de combustível é o último elo dessa cadeia. Apenas repassamos aquilo que as distribuidoras nos cobram. Inclusive, fica a pergunta: por que não há nenhum representante das distribuidoras nesta audiência?”, indagou Kaká.
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Além disso, ele enfatizou a importância dos órgãos reguladores, como a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), e o Procon, para a fiscalização do setor. No entanto, Kaká pediu que essa atuação seja equilibrada, sem criminalizar os empresários que operam de forma regular. “Acreditamos que a fiscalização é necessária, mas qual a necessidade de todo esse aparato policial, considerando que a maioria dos postos de combustíveis atua legalmente? Estamos aqui para defender esse tipo de empresário”, afirmou.
Fiscalizações e Dificuldades no Setor
Mesmo com a ausência de representantes da ANP na audiência, o deputado Faissal Calil compartilhou dados que mostram que mais de mil fiscalizações foram realizadas em postos de combustíveis em todo o Brasil, com 62 ocorrendo especificamente em Mato Grosso, todas consideradas regulares.
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O empresário Ramsés Castoldi também trouxe à tona as dificuldades enfrentadas pelos revendedores desde o início do conflito entre os Estados Unidos e Irã, que impactaram diretamente as vendas e a margem de lucro dos postos. “Muitas vezes, as pessoas questionam por que o preço do combustível aumenta de uma hora para outra, mas é preciso entender que os revendedores não mantêm estoque. Os postos compram combustíveis diariamente para atender a demanda”, explicou.
Ele enfatizou que essa dinâmica de compra diária é um dos fatores que justifica as oscilações nos preços praticados nas bombas de gasolina. O debate ainda contou com a participação do secretário-adjunto da Receita Pública da Sefaz, Lucas Elmo, e da secretária-adjunta de Proteção e Defesa do Consumidor, Ana Rachel Gomes, enriquecendo a discussão sobre o complexo cenário do abastecimento no estado.
