Custo dos Alimentos Essenciais em Alta
O preço da cesta básica em Cuiabá, mais uma vez, alcançou um recorde histórico, marcando R$ 874,47 na quarta semana de abril. Este aumento, que se mantém por duas semanas consecutivas, traz à tona a preocupação dos consumidores, que veem o custo dos alimentos essenciais muito próximo da marca de R$ 900. Os dados foram divulgados pelo Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), revelando uma variação semanal de 1,36%. Na semana anterior, a cesta já havia atingido R$ 862,76, o que também era um patamar recorde.
Esse crescimento contínuo representa uma pressão significativa sobre o orçamento das famílias mato-grossenses. Comparando com o mesmo período do ano anterior, quando a cesta básica custava R$ 844,31, a alta atual é de 3,57%. Essa escalada nos preços reflete uma tendência de encarecimento, influenciada por oscilações em produtos específicos, além de fatores internos e externos que afetam o mercado.
Fatores que Influenciam o Aumento dos Preços
Wenceslau Júnior, presidente da Fecomércio-MT, comentou sobre a combinação de variáveis que impactam o cenário atual: “A variação de preços da cesta básica na última semana evidencia a influência combinada de fatores internos, como o ciclo produtivo, e externos, como as exportações, na formação dos preços dos alimentos.”
Após um período recente de relativa estabilidade, a cesta básica enfrentou um aumento expressivo de 4,34% na terceira semana de abril. Os hortifrutigranjeiros foram os principais responsáveis por essa alta, com destaque para o tomate e a batata. O preço do tomate, por exemplo, subiu 33,5%, chegando a R$ 11,87 por quilo, enquanto a batata teve um aumento de 11,8%, sendo comercializada a R$ 5,20/kg. Esses aumentos são atribuídos à diminuição da oferta devido a fatores climáticos e à transição entre safras.
Impactos no Orçamento das Famílias
Além dos hortifrutigranjeiros, outros produtos essenciais também têm apresentado variações significativas. Na semana mais recente, a carne bovina subiu 4,72%, atingindo uma média de R$ 47,48/kg. Este aumento é atribuído à menor disponibilidade de gado para abate e à crescente demanda externa. Em comparação ao ano passado, o preço da carne já é 16,49% mais alto.
O arroz também registrou alta, com aumento de 2,02% e preço médio de R$ 5,11/kg. Apesar dessa elevação, ainda é possível notar uma queda de 21,49% em relação ao mesmo período de 2025. Este fenômeno pode estar relacionado à fase final da colheita e à necessidade de ajuste de preços.
Variações de Preços e Desigualdade no Aumento
Curiosamente, nem todos os produtos seguiram a mesma tendência de alta. O açúcar, por exemplo, viu seu preço cair em 5,55%, sendo comercializado a R$ 1,75/kg. Este valor representa mais de 50% abaixo do registrado um ano atrás, devido ao aumento da safra de cana-de-açúcar e à maior disponibilidade no mercado.
Apesar dessa redução pontual, o aumento geral da cesta básica permanece elevado. Análises do IPF-MT indicam que o processo inflacionário se dá de forma desigual entre os produtos, com alguns itens apresentando quedas enquanto outros continuam a subir. O presidente da Fecomércio-MT destaca essa discrepância: “Apesar do aumento registrado no conjunto da cesta, alguns itens ainda apresentam preços inferiores aos do ano anterior, indicando que o processo de recomposição inflacionária ocorre de forma gradual e desigual entre os produtos.”
Consequências para o Poder de Compra
Com o custo da cesta básica se aproximando dos R$ 900, o impacto no poder de compra das famílias, especialmente aquelas de baixa renda, é inegável. Este cenário reforça as dificuldades enfrentadas para manter o consumo básico, em um contexto onde a inflação, embora irregular, continua pressionando o dia a dia dos consumidores. A elevação constante dos preços dos alimentos essenciais é um desafio que afeta não só as finanças, mas também a qualidade de vida da população.
