Impactos Negativos na Educação Pública de Mato Grosso
O encerramento da gestão do governador Mauro Mendes deixa preocupações significativas para a educação pública de Mato Grosso, conforme avaliação do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT). Durante o período de sete anos, políticas que visavam modernização culminaram em retrocessos que afetaram diretamente a qualidade do ensino e a carreira dos educadores.
Um dos aspectos mais contestados é o fim da gestão democrática nas escolas, uma mudança que, segundo o presidente do Sintep-MT, professor Henrique Lopes — que se licenciou em abril para concorrer nas eleições —, eliminou a participação da comunidade escolar nas decisões. “Essa retirada do direito de participação rompe com um princípio fundamental da educação pública, que é a construção coletiva”, afirma Lopes, ressaltando que, além disso, mais de 100 unidades escolares foram fechadas, reduzindo o número de prédios da rede estadual de 740 para 626.
Desvalorização e Desmonte do Ensino
A política de municipalização, que o governo chamou de redimensionamento, também faz parte desse cenário de desmonte educacional. “Transferir responsabilidades sem oferecer condições financeiras adequadas é um peso que muitos municípios não conseguem suportar”, destaca o professor. Essa mudança tem comprometido diretamente a qualidade do atendimento educacional e causado rupturas na carreira dos profissionais.
Um dos principais desafios enfrentados pelos educadores ocorreu com o fechamento de turmas, que deixou pedagogos sem aulas e em situações de insegurança. A interrupção das políticas de valorização salarial representa outro duro golpe na categoria. Em vez de incentivo, o governo implementou um modelo meritocrático que, segundo Lopes, tem contribuído para o adoecimento da profissão e impactado negativamente as aposentadorias. “O confisco de 14% do rendimento e o fim da paridade com os ativos geram um quadro de desvalorização generalizada”, explica.
Autonomia Pedagógica em Risco
A falta de respeito com os profissionais da educação se torna mais crítica quando se observa a ameaça à autonomia pedagógica dos professores. A liberdade de ensinar foi severamente restringida, com a imposição de sistemas padronizados que substituíram livros didáticos gratuitos. Essas mudanças impactam diretamente a maneira como os educadores conduzem suas aulas, aumentando o controle sobre o processo de ensino-aprendizagem.
Manipulação de Dados Educacionais
Além das questões estruturais, o professor Henrique Lopes chama a atenção para práticas inadequadas na educação pública, como manipulações de dados educacionais. “Fingir que os índices educacionais estão positivos, alterando informações, é um golpe na transparência — um dos principais instrumentos de avaliação e planejamento das políticas públicas”, critica. Ele defende que, ao colocar a transparência em xeque, o governo compromete a base sobre a qual as políticas devem ser construídas.
Henrique ressalta que a presença de forças militares nas escolas, proposta em algumas políticas, não condiz com a função educacional. “Militares têm papéis distintos na sociedade. Se estamos trazendo a polícia para dentro da escola, algo está muito errado, tanto na sociedade quanto na própria visão de educação”, argumenta. Para ele, a disciplina pedagógica é centrada no respeito às especificidades dos alunos, o que contrasta com a abordagem militar, que tende a ser padronizada e autoritária.
Expectativas de Mudança
Com a saída do governador Mauro Mendes, há uma expectativa crescente por uma revisão das práticas e prioridades do Estado na educação. “O governo pode não gostar do sindicato, mas deve respeitar sua função legal e constitucional de representação. O diálogo é essencial para a construção de um ambiente educacional mais saudável e produtivo”, conclui Henrique Lopes.
