Câmara de Comércio Italiana em Cuiabá: um passo fundamental para a industrialização do estado
Ao longo da minha trajetória, desde os primórdios da Ábaco Tecnologia até a experiência adquirida na Milanflex, no Distrito Industrial de Cuiabá, sempre acreditei que a indústria é um motor poderoso para a transformação social e o desenvolvimento de uma nação. Atualmente, estamos em um momento ímpar, onde Mato Grosso, consolidado como o celeiro do mundo, avança para se tornar um polo de industrialização verticalizada e tecnológica. O desafio que se coloca diante de nós não se resume apenas à produção, mas à necessidade urgente de agregar valor, inovar e internacionalizar nossa base produtiva.
A minha atuação no Sistema Fiemt e no Sebrae Mato Grosso sempre esteve alinhada à crença de que o empresário não deve andar isolado. É com essa visão de união e estratégia que aceito o desafio de atuar como conselheiro da Câmara de Comércio Italiana em Mato Grosso. A inauguração desta entidade em Cuiabá, programada para o dia 4 de maio, marca um importante capítulo na história do nosso estado. Este não é apenas o lançamento de um escritório, mas sim o estabelecimento de uma conexão direta entre o legado da indústria italiana e a força do setor produtivo mato-grossense.
A liderança institucional desempenha um papel crucial na consolidação do caminho que nossa produção seguirá. A chegada da Câmara Italiana acontece em um contexto essencial de aproximação entre o Mercosul e a União Europeia, que representa um divisor de águas ao abrir as portas de um dos mercados mais exigentes e qualificados do mundo para os nossos produtos. Para nós, industriais, essa integração não significa apenas ampliar as possibilidades de mercado, mas também possibilitar o acesso a novas tecnologias, promover o intercâmbio de design e adotar padrões de sustentabilidade que o mercado europeu valoriza intensamente.
Tomando o setor de móveis como exemplo, onde minha jornada começou, a combinação do design italiano com nossa abundante matéria-prima sustentável apresenta um potencial de exportação imenso. Não podemos nos conformar em ser meros exportadores de commodities, pois a visão que defendo é a de uma industrialização inteligente. Precisamos transformar nossa madeira em design de alto valor agregado, nossa soja em proteína processada e nosso algodão em produtos têxteis de excelência.
O papel das lideranças industriais nesse cenário é assegurar segurança jurídica e estabilidade nas regras do jogo, essenciais para atrair investimentos estrangeiros que vejam em Mato Grosso um porto seguro. O futuro da indústria brasileira está intrinsecamente ligado ao desenvolvimento do interior do país, e a nova Câmara de Comércio Italiana será o impulsionador necessário para demonstrarmos que a região centro-oeste do Brasil possui competência, tecnologia e determinação para competir e se destacar no mercado global.
