Iniciativa que Fortalece Mulheres Indígenas
A Aldeia Urubu Branco, situada no município de Confresa, a 1.027 km de Cuiabá, se destacou como pioneira na implementação do Projeto ‘Força Mulher Indígenas’. Essa ação visa estimular o etnoempreendedorismo entre as mulheres da comunidade, valorizando o artesanato local e ampliando as possibilidades de geração de renda. A proposta também busca reforçar a identidade cultural das indígenas, unindo tradição, pertencimento e novas oportunidades.
Desenvolvido pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Mato Grosso (Sebrae/MT), em parceria com a Prefeitura de Confresa e o Sicredi, o projeto encontrou na Aldeia Urubu Branco um espaço propício para o compartilhamento de saberes. As peças produzidas com linhas e miçangas vão além da estética: elas carregam histórias e heranças transmitidas por gerações.
A artesã Ellen Awokoaxowa, moradora da aldeia, enfatizou a importância dessa iniciativa para o desenvolvimento da comunidade. “O projeto Força Mulher na Aldeia é de extrema importância e deve receber atenção especial. Valorizar as mulheres indígenas é fundamental para promover a autonomia e o desenvolvimento sustentável dentro das comunidades. Além disso, todas as ações realizadas devem respeitar e valorizar a cultura e os saberes dos povos originários. Somente assim conseguimos um impacto positivo e duradouro”, afirmou.
Avanços no Protagonismo Feminino
Para Lélia Brun, diretora-superintendente do Sebrae/MT, o projeto representa um avanço significativo na promoção do protagonismo feminino em contextos tradicionais. “Quando fortalecemos as mulheres, especialmente em comunidades indígenas, estamos preservando culturas e saberes ancestrais, ao mesmo tempo em que criamos oportunidades para a autonomia econômica. O Força Mulher Indígenas trata-se de respeito, valorização e futuro. É uma alegria ver mulheres indígenas transformando cultura em renda”, destacou.
Desde o início das atividades, ficou evidente que as artesãs já possuíam conhecimento técnico. O verdadeiro desafio era o acesso ao mercado e a comercialização adequada, além da valorização das criações como produtos culturais de alto valor agregado.
O projeto começou com uma escuta atenta das mulheres da aldeia, assegurando que cada fase fosse construída de maneira participativa e respeitosa com a realidade local. Em seguida, oficinas foram realizadas para aprimorar o acabamento, cuidados de higiene e organização da produção — esforços que não apenas melhoram o produto, mas também fortalecem a confiança e a autonomia das participantes.
Feiras e Oportunidades de Comercialização
Um dos destaques foi a participação na Expofresa – Feira Agropecuária de Confresa, que ampliou a visibilidade do trabalho e abriu portas para novas oportunidades de comercialização em eventos futuros. Aproximadamente 20 a 25 mulheres foram diretamente beneficiadas, vivenciando um processo que vai além da capacitação técnica, focando no fortalecimento coletivo e no reconhecimento do próprio trabalho, solidificando o artesanato como uma fonte legítima de renda e expressão cultural.
Patrícia Dantas, analista do Sebrae/MT e gestora do projeto na região, revela que o impacto vai além do aspecto econômico. “O Força Mulher Indígenas visa fortalecer o protagonismo dessas mulheres, respeitando suas tradições e mostrando ao mercado o valor simbólico e cultural de cada peça produzida. A Aldeia Urubu Branco está abrindo caminhos que certamente inspirarão outras comunidades indígenas a conquistar seus espaços com dignidade e autonomia”, declarou.
As etapas que marcaram a conclusão das atividades da primeira turma incluíram a criação de uma marca coletiva, participação em feiras regionais e estaduais, estruturação de canais de venda digitais e a manutenção de parcerias que garantem suporte logístico e financeiro. A nova empreendedoras também celebraram sua jornada em uma cerimônia de formatura, onde puderam comemorar com os familiares essa nova trajetória.
