A importância de uma formação que promova igualdade de gênero desde a infância
No Brasil, segundo dados do instituto Datasenado, impressionantes 3,7 milhões de mulheres foram vítimas de violência doméstica ou familiar em 2025. Entre as entrevistadas, 71% relataram que as agressões ocorreram na presença de crianças, incluindo seus próprios filhos. Esses números alarmantes refletem a urgência de uma reflexão sobre a cultura machista que permeia nossa sociedade, uma realidade que se inicia muitas vezes dentro de casa, no ambiente familiar.
Quebrar esse ciclo vicioso é fundamental. A transformação deve começar no seio familiar, onde pais e responsáveis têm a oportunidade de educar meninos e meninas para que se tornem adultos mais conscientes, independentes e livres de preconceitos. Em tempos tão modernos, não faz mais sentido categorizar atividades como “coisas de menino” ou “coisas de menina”. Na verdade, essa divisão nunca foi real. Pesquisas indicam que, em algumas sociedades antigas, mulheres eram responsáveis por atividades como a caça e o trabalho pesado. Fósseis descobertos com ferramentas de pedra indicam que as mulheres desempenhavam papéis significativos em suas comunidades.
Portanto, é essencial que meninos sejam instruídos a se tornarem homens que saibam compartilhar as tarefas do lar, como lavar roupas e cozinhar, sem relegar a responsabilidade de cuidar dos filhos apenas às mães. A meta é formar meninos que não sejam apenas ajudantes, mas verdadeiros parceiros na divisão das responsabilidades familiares. Já as meninas devem ser incentivadas desde cedo a entender que possuem um vasto leque de escolhas à sua disposição. Elas podem praticar esportes tradicionalmente considerados masculinos, como o futebol, ou sonhar em se tornar pilotas de rally, por exemplo.
Estamos falando de milhões de mulheres que enfrentam a brutalidade da violência em nosso país. Essa violência se manifesta de diversas formas: ofensas, agressões físicas e até assassinatos. O que sustenta esse ciclo é o machismo estrutural, uma cultura patriarcal que reduz a mulher a um objeto, como se fosse uma propriedade. É a crença de que a mulher deve ser submissa e que, portanto, “eu posso fazer o que quiser com ela”.
É absolutamente necessário interromper essa dinâmica. A educação antimachista deve ser uma prioridade no lar, com leituras que abordem a igualdade de gênero e incentivem tanto meninos quanto meninas a se tornarem cidadãos e cidadãs mais conscientes. As meninas precisam se dar conta de que têm um mundo de possibilidades à sua frente, enquanto os meninos devem ser educados a serem autônomos e a entenderem que devem ser futuros parceiros que se preocupam com o bem-estar de suas companheiras, capaz de preparar uma refeição saborosa após um longo dia de trabalho.
