Uma Experiência Teatral que Une Memória e Identidade Feminina
A partir do livro “Memória Alice Realidade Rosa”, escrito por Flávia Pires, surge uma proposta teatral que explora de forma sensível temas como memória, identidade e as complexas travessias femininas. O projeto, que visa dar vida a essas questões no palco, está com inscrições abertas para audições que acontecerão entre 25 de fevereiro e 11 de março. Serão selecionadas três atrizes que receberão um cachê de R$ 3.500 por seu trabalho no espetáculo.
A abertura oficial das inscrições ocorreu no dia 25 de fevereiro e está aberta para atrizes com idade mínima de 25 anos. As interessadas devem se inscrever através de um formulário online.
As participantes selecionadas deverão se apresentar pessoalmente na Casa Cuiabana, situada na Avenida General Valle, nº 181, no bairro Bandeirantes, no dia 13 de março, entre 18h e 21h. É recomendado que as candidatas utilizem roupas leves e confortáveis para as audições.
Com produção executiva, dramaturgia e texto de Flávia Pires, a direção geral e encenação ficam a cargo de Nariel Iatskiu, enquanto Alê Grandini coordena a produção. O projeto conta com o apoio do Instituto INCA – Inclusão, Cidadania e Ação e é patrocinado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), com emenda parlamentar do deputado estadual Lúdio Cabral, além do apoio institucional da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
O Enredo da Peça
Com uma duração de 40 minutos, “Memória Alice Realidade Rosa” será encenada nos dias 17 e 18 de setembro, em um mês que se dedica à conscientização sobre saúde mental. Este drama poético narra a história de Alice, filha de Rosa, que se engaja em diálogos com a Memória e a Realidade, representadas como personagens no palco. Através de lembranças, silêncios e afetos, Alice busca entender as marcas deixadas por sua mãe e processar luto, saudade e sua própria identidade.
Nariel Iatskiu, a diretora geral e concepção cênica, destaca um dos aspectos mais notáveis do projeto: a constituição de uma equipe majoritariamente feminina. “Essa escolha não foi aleatória. É uma decisão estética e política. O teatro deve ser um espaço de construção de narrativas e de poder. Historicamente, os bastidores estiveram sob uma lógica que restringia quem podia criar e liderar. Reunir uma equipe feminina é um ato de afirmação de competência, sensibilidade e potência criativa”, afirma Iatskiu.
A diretora também enfatiza que a proposta transcende a mera representação de mulheres no palco. “Mais do que apenas ter mulheres em cena, queremos que elas tenham voz ativa sobre a criação. O projeto traz uma ética de colaboração, com uma dinâmica mais horizontal, priorizando as nuances emocionais que enriquecem a narrativa”, acrescenta.
Do Livro para o Palco
Flávia Pires, a autora da dramaturgia, explica que a peça surgiu da necessidade de transportar a linguagem do livro para a cena. “Memória Alice Realidade Rosa” é uma narrativa envolvendo quatro personagens, onde Alice dialoga com a Memória e a Realidade em busca de processar a saudade da mãe que partiu. Os diálogos mesclam poesia e sonhos, e o objetivo é instigar o público a refletir sobre sua percepção a respeito dos eventos simples e complexos da vida.
Para Pires, a experiência é subjetiva e aberta a interpretações. “A peça pode ser profunda ou apenas tocar a superfície, dependendo do envolvimento de cada espectador. A intenção é ampliar as discussões em torno de temas como saúde mental, abandono afetivo e relações familiares”, ressalta.
Além das apresentações, o projeto também prevê a realização de rodas de conversa com o público, visando aprofundar o debate sobre os temas centrais da obra. Essa iniciativa reafirma o teatro como um espaço de transformação social, democratização do acesso à cultura e fomento à cena autoral em Mato Grosso.
À medida que a estreia se aproxima, “Memória Alice Realidade Rosa” convida atrizes a se juntarem a essa narrativa que entrelaça poesia, sensibilidade e a força feminina, tanto no palco quanto fora dele.
