Tradição que vai além do passeio
Em Mato Grosso, a cavalgada não se resume a um simples passeio a cavalo. Ela é um encontro de gerações, um espaço onde famílias, amigos e comitivas se reúnem para celebrar cultura, diversão e sobretudo, memórias afetivas. Para muitos, essa paixão nasce na infância e segue atravessando o tempo, tornando-se, para alguns, um verdadeiro modo de vida.
Jackeline Gonçala de Oliveira é um exemplo dessa ligação profunda. Participou da primeira cavalgada aos 7 anos acompanhando o pai, Ditinho. Hoje, aos 38 anos e mãe de dois meninos, ela vê nos filhos a continuidade dessa história que começou há décadas. A comitiva que integra, “Nós Inverga Mas Não Quebra”, carrega uma tradição de 24 anos, e para Jackeline, a cavalgada é mais que cultura e esporte: é reencontro e fortalecimento dos laços familiares.
“É muito mais que um passeio, é onde reencontra os amigos”, destaca ela. Os filhos de Jackeline, apaixonados por cavalos e mulas, também participam das cavalgadas, um modo de estimular a valorização da cultura local pelas novas gerações.
Estilo de vida e respeito à tradição
Para Dorival Rigotti, a conexão com as cavalgadas foi natural desde cedo, nascido e criado no meio rural. O tropeirismo e as cavalgadas moldaram sua relação com essa cultura tão presente em Mato Grosso. Hoje, organiza eventos pelo estado e participa ao lado da esposa, encontrando nos amigos feitos na estrada uma extensão da família.
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Mais do que a participação, Dorival enfatiza o respeito que a tradição exige: aos animais, às pessoas e à vida no campo. Ele percebe que as novas tecnologias ampliam a divulgação das cavalgadas, mas alerta para o risco de distorcerem o significado original dessa prática cultural.
Reforça a importância de preservar a essência da cavalgada, que para ele, é marcada por histórias afetivas, como a de um cavalo que nasceu no sítio da família e viveu ali até o fim, tornando-se parte das memórias construídas ao longo dos anos.
Memórias que se perpetuam
A história de Inês Antônia dos Santos, conhecida como filha do Seu Nicola, também reflete essa herança familiar. Seu pai foi quem a levou à primeira cavalgada, no Coxipó do Ouro. Detalhes daquele dia permanecem vivos em sua memória, desde a espera em São Gerônimo pela chegada dos cavaleiros da serra, até as dores no corpo após o percurso intenso.
Entre as lembranças, destaca-se uma camiseta personalizada para a ocasião e as histórias do pai, que controlava o horário de saída para que Inês não se atrasasse. Para ela, as cavalgadas são um modo de manter viva essa conexão com o passado.
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Os cavalos também guardam significado especial. Pampa, que iniciou a jornada da família nas cavalgadas, e Veloz, que ajudou a carregar e ensinar os sobrinhos, são símbolos de um amor que atravessa gerações. “Simboliza um amor de geração, que já está na terceira e vai continuar por muitos anos”, afirma Inês.
Cavalgada: cultura viva e convite à experiência
As histórias de Jackeline, Dorival e Inês revelam que a cavalgada é mais do que um percurso a cavalo. Ela é uma forma concreta de preservar vínculos, reviver memórias e fortalecer a cultura ligada ao campo. Seja na lembrança de um ensinamento paterno, no reencontro anual da família ou na vontade de proteger essa tradição, a cavalgada segue encontrando seu espaço entre diferentes gerações em Mato Grosso.
Para quem ainda não conhece esse universo, o convite é direto: “Vamos, que você vai gostar, viver uma experiência muito boa”, convida Jackeline, abrindo as portas para um mundo que mistura história, afeto e cultura em meio à natureza mato-grossense.
