Arrecadação Cresce, Mas Despesas Avançam Ainda Mais
O governo de Mato Grosso do Sul registrou um crescimento de 7,7% na arrecadação no primeiro quadrimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Conforme o relatório de gestão fiscal publicado no Diário Oficial do Estado, as receitas somaram R$ 9,297 bilhões entre janeiro e abril deste ano, contra R$ 8,631 bilhões no ano anterior.
No entanto, as despesas estaduais tiveram um aumento ainda mais expressivo, passando de R$ 7,516 bilhões para R$ 8,972 bilhões, o que representa uma alta de 19,3%. Essa disparidade entre o crescimento das receitas e dos gastos reduziu drasticamente a margem fiscal do Estado.
Margem Fiscal Encolhe 70% em um Ano
Em 2025, Mato Grosso do Sul encerrou o primeiro quadrimestre com uma sobra de aproximadamente R$ 1,115 bilhão. Já em 2026, essa margem caiu para cerca de R$ 325 milhões, uma redução de 70,9%. Na prática, o avanço nas despesas consumiu quase todo o ganho obtido com o aumento na arrecadação, gerando pressão crescente sobre as finanças públicas.
Esse cenário é preocupante especialmente porque ocorre em um momento de expansão econômica para o Estado, marcado pela atração de investimentos, crescimento da produção industrial e avanço do agronegócio, setores que impulsionam a arrecadação tributária.
Receita Tributária Tem Crescimento Modesto
A arrecadação obtida por meio de impostos e taxas de melhorias apresentou aumento modesto de 3%, passando de R$ 7,511 bilhões para R$ 7,722 bilhões no primeiro quadrimestre. Esse ritmo mais lento contribui para limitar a capacidade do governo em ampliar investimentos e implementar novas políticas públicas utilizando recursos próprios.
Pressão sobre Contas Vem dos Gastos com Pessoal
Um dos principais fatores que contribuem para a pressão nas contas estaduais é o aumento das despesas com pessoal. O relatório aponta que esses gastos totalizaram R$ 10,59 bilhões nos 12 meses encerrados em abril de 2026, representando 46,62% da Receita Corrente Líquida (RCL) ajustada do Estado. Esse percentual permanece acima do limite prudencial de 46,55% definido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Embora tenha havido uma leve melhora em relação ao primeiro quadrimestre de 2025, quando o índice era 46,92%, a rigidez orçamentária continua elevada. Em valores absolutos, a despesa com pessoal aumentou cerca de R$ 918 milhões em um ano, passando de R$ 9,68 bilhões para R$ 10,59 bilhões.
Esse crescimento acompanhou mais de perto a expansão da RCL, o que explica a manutenção do indicador próximo ao limite prudencial. Apesar disso, ainda está abaixo do teto máximo de 49% previsto na legislação, mas a margem para novas despesas permanentes, como reajustes salariais e criação de cargos, permanece restrita.
Dívida Consolidada Líquida e Operações de Crédito Crescem
Outro ponto de atenção é o aumento da dívida consolidada líquida do Estado, que passou de R$ 4,58 bilhões em abril de 2025 para R$ 5,71 bilhões em abril de 2026, representando uma alta de 24,6%. Mesmo assim, o endividamento está bem abaixo do limite legal autorizado pelo Senado, que permite até 200% da RCL ajustada.
Quanto às operações de crédito, houve uma mudança significativa. Enquanto em 2025 não foram registrados empréstimos no primeiro quadrimestre, neste ano o Estado contratou R$ 1,079 bilhão em financiamentos internos e externos, equivalente a 4,73% da RCL ajustada. O valor está distante do limite legal de 16%, mas indica uma estratégia para manter investimentos em infraestrutura, logística e obras públicas.
Despesas Crescentes Limitam Expansão de Investimentos
A comparação entre os primeiros quadrimestres de 2025 e 2026 mostra que Mato Grosso do Sul mantém crescimento na arrecadação e indicadores fiscais dentro dos parâmetros legais. Porém, o avanço acelerado dos gastos reduz a folga fiscal e limita a capacidade do governo de ampliar investimentos e implementar novas políticas públicas com recursos próprios.
Em resumo, embora o Estado tenha avançado na geração de receita, o aumento das despesas é mais veloz, consumindo a maior parte dos ganhos e pressionando as contas públicas. Essa dinâmica exige atenção para o equilíbrio financeiro e a sustentabilidade dos investimentos em um cenário de crescimento econômico regional.
