Encontro da Assembleia Legislativa de Mato Grosso
Nesta terça-feira (12), o campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, foi palco de uma audiência pública externa intitulada “Mato Grosso é Terra Indígena”. O evento, conduzido pela deputada em exercício Eliane Xunakalo (PT), teve como foco principal as demandas dos povos indígenas mato-grossenses, abrangendo questões de demarcação de terras, educação, saúde e economia. Durante a audiência, as lideranças indígenas puderam expressar suas preocupações e necessidades, trazendo à tona debates essenciais sobre suas realidades.
Para Eliane Xunakalo, o encontro foi uma experiência positiva. “Ouvimos nossas lideranças e deixamos todos à vontade para se expressarem, seja com críticas ou elogios. Todos os temas debatidos serão encaminhados às autoridades competentes”, garantiu. A deputada reforçou que a audiência teve como objetivo lembrar a sociedade, incluindo aqueles que não são indígenas, de que mais de 60 mil pessoas pertencentes a povos originários vivem no estado, distribuídas em 86 territórios demarcados e mais de 20 em processo de demarcação.
“Todas as lideranças aqui presentes, caciques, cacicas, jovens, mulheres, anciãs e anciãos, sabem que Mato Grosso é terra indígena. Estamos no Cerrado, no Pantanal, na Amazônia, nas cidades e nos municípios”, destacou a deputada, sublinhando a diversidade e a riqueza cultural dos povos que habitam o estado.
Lideranças e Especialistas na Mesa de Debates
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A mesa da audiência contou com a participação de diversas lideranças indígenas e especialistas, entre eles, Silvano Chue Muquissai, que possui formação em Direito pela UFMT; Soilo Urupe Chue, psicólogo e pesquisador; José Ângelo da Silveira Nhambiquara, odontólogo; Maurício Kamaiurá, professor e colaborador do Núcleo Intercultural de Educação Indígena Takinahaky da Universidade Federal de Goiás; e Reginaldo Tapirapé, geógrafo com pós-graduação em Ciências Sociais, Políticas Públicas e Pedagogia, além de ser educador. Ao lado deles, o deputado Lúdio Cabral (PT) e a reitora da UFMT, Marluce Souza e Silva, também contribuíram para o diálogo.
A audiência pública faz parte da 4ª edição do Acampamento Terra Livre de Mato Grosso (ATL-MT), considerado o evento mais significativo voltado para as pautas indígenas na região. O ATL-MT reúne 43 povos atuantes na defesa de seus territórios e na proteção ambiental dos biomas do estado, promovendo uma plataforma para a luta por direitos e a valorização da cultura indígena.
Uma Mescla de Debates e Cultura Indígena
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Durante a audiência, não apenas os debates acadêmicos e políticos foram protagonistas, mas também a cultura indígena se fez presente, com apresentações culturais e a Feira de Artes Indígenas, que são parte integrante do evento. Esta combinação proporciona uma rica troca de experiências, permitindo que a cultura dos povos indígenas se mostre e se fortaleça junto à sociedade.
A 4ª edição do ATL-MT é uma realização da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt) e da Associação Aqui é Mato, contando com apoio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso e do Governo do Estado, viabilizados por recursos da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) através de emendas parlamentares do deputado Lúdio Cabral. A UFMT também oferece suporte institucional ao evento, demonstrando a importância do tema e a união entre instituições na luta pelos direitos indígenas.
