Desafios da Educação em Mato Grosso
Em uma conversa franca durante o Programa Opinião, transmitido pela TV Pantanal nesta segunda-feira (04/05), Henrique Lopes, dirigente licenciado do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), reafirmou seu compromisso com a defesa da educação pública no estado. Lopes aproveitou a oportunidade para expor os principais desafios enfrentados pela educação em Mato Grosso, especialmente no que diz respeito ao modelo de escolas cívico-militares.
Ao ser questionado sobre o funcionamento dessas instituições, Lopes trouxe à tona críticas contundentes ao modelo em vigor. Ele destacou que, apesar de os militares serem considerados “voluntários”, eles recebem gratificações que, em muitos casos, superam os salários dos profissionais de educação que possuem formação específica para atuar em sala de aula. Lopes argumentou que essa discrepância salarial não é apenas injusta, mas também evidencia um investimento do governo em um modelo que, segundo ele, carece de evidências concretas de eficácia em termos de melhoria nos índices de aprendizagem.
“É necessário realizar estudos mais aprofundados antes de afirmar que estamos vendo progresso na educação”, ressaltou Lopes, que também enfatizou a necessidade de se considerar todos os fatores que influenciam o aprendizado dos alunos, não apenas os números. O dirigente observou que, embora haja bons resultados no Ensino Fundamental, especialmente em iniciativas desenvolvidas por prefeituras, o Ensino Médio ainda carece de atenção e melhorias significativas.
Manipulação de Dados e Qualidade Educacional
Henrique Lopes também trouxe à tona questões pertinentes sobre a manipulação de dados relacionados à educação no estado. Ele mencionou as denúncias feitas pelo Sintep-MT referentes a práticas que alteram a realidade dos indicadores educacionais, como a classificação de alunos que abandonam a escola como “transferidos” e a revisão de reprovações ao final do ano letivo para promover estudantes que, na visão do sindicato, não deveriam ser promovidos devido às faltas e ao desempenho insatisfatório.
Essas preocupações, segundo Lopes, foram formalmente apresentadas ao Ministério Público Estadual, com o intuito de que os dados educacionais reflitam a verdadeira situação da educação em Mato Grosso. “É fundamental que a realidade da educação seja cuidadosamente analisada e discutida”, disse ele, enfatizando que a transparência é crucial para a construção de políticas educacionais eficazes.
Papel da Assembleia Legislativa e Questões Previdenciárias
Quando indagado sobre o papel desempenhado pela Assembleia Legislativa em relação aos desafios educacionais do estado, Lopes expressou que, apesar de ser essencial, sua atuação tem sido, na prática, limitada. “É vital que a Assembleia acompanhe de perto os investimentos na educação, avalie a infraestrutura das escolas e valorize os profissionais. Não podemos aceitar os dados fornecidos pelo governo sem questionar sua veracidade”, comentou.
Durante a interação com os telespectadores, Lopes abordou também o desconto previdenciário que afeta aposentados, que vêm enfrentando perdas significativas desde 2020. Ele descreveu a situação como “absurda”, referindo-se à Lei 103/2019, implementada durante o governo de Jair Bolsonaro, mas que foi agravada pelo atual governador Mauro Mendes, que estabeleceu o desconto a partir de um salário mínimo.
Após pressões dos servidores, a faixa foi ajustada para R$ 3 mil. Lopes ressaltou que a situação está sendo analisada pelo Supremo Tribunal Federal, que já proferiu uma decisão favorável aos aposentados, mas ainda aguarda a publicação do acórdão para que a regulamentação do desconto respeite o teto do INSS. “Os aposentados em Mato Grosso foram duplamente penalizados, tanto pelo desconto quanto pela falta de revisão geral anual”, enfatizou.
Escassez de Professores e Questões Emergentes
Por último, Lopes mencionou a preocupante escassez de professores nas escolas públicas, causada pela falta de concursos e pelo aumento de contratos precários, resultando em uma alta rotatividade de profissionais nas instituições de ensino. “Esse cenário compromete a continuidade da aprendizagem e a qualidade da educação oferecida aos alunos”, concluiu.
