Iniciativa Promove Inclusão e Capacitação
A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) do Pará inaugurará na próxima terça-feira (5) uma nova fábrica de bloquetes no Complexo Penitenciário de Marabá, localizado no Sudeste do estado. Essa ação faz parte de uma estratégia maior de interiorização do projeto, que já se mostrou eficaz em Santa Izabel e em outras regiões. Atualmente, cerca de 40 internos, provenientes dos regimes fechado e semiaberto, estão envolvidos na produção, que tem uma capacidade impressionante de até 70 mil blocos por mês, voltados para a pavimentação urbana.
A criação da fábrica é o resultado de uma cooperação entre a Seap, que se encarrega da gestão operacional e da segurança, e a prefeitura de Marabá, responsável pela infraestrutura e abastecimento de insumos. Os materiais utilizados incluem itens reaproveitados, uma medida que visa diminuir o impacto ambiental da iniciativa.
Uma Nova Perspectiva de Trabalho e Cidadania
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O coronel Marco Antônio Sirotheau, titular da Seap, enfatiza que a nova unidade é um marco na junção de responsabilidade social com a eficiência pública. “Essa fábrica simboliza um avanço estratégico, ao unir qualificação profissional e cooperação institucional. Além de fomentar uma execução penal mais humanizada e produtiva, o projeto contribui para atender às demandas de infraestrutura, melhorando a qualidade de vida da população por meio da pavimentação de ruas”, afirmou.
Por sua vez, o diretor de Trabalho e Produção da Seap, Belchior Machado, reforçou a importância da empregabilidade nesse processo. “Estamos criando uma oportunidade concreta de transformação social. O aprendizado técnico possibilita que os internos adquiram experiência e disciplina, preparando-os para uma reintegração efetiva no mercado de trabalho após cumprirem suas penas”, explicou.
O engenheiro civil da prefeitura de Marabá, Marco Antônio Almeida Tavares, destacou que a parceria com o Estado é fundamental para a viabilização da produção. “Fornecemos insumos e reaproveitamos materiais de outras obras, ajudando na redução da pegada de carbono. O desempenho dos internos é notável, com disciplina e rendimento elevados”, comentou.
Benefícios e Economia para a População
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A produção gerada pela nova fábrica será inicialmente destinada à pavimentação do bairro Liberdade e de agrovilas na região. Tavares ressaltou que o impacto da iniciativa vai além das questões estruturais. “Quando um interno começa a produzir materiais que beneficiam a sociedade, ele quebra o estigma de que aqueles que cumpriram pena não podem ser produtivos. A sociedade também precisa fazer sua parte, oferecendo novas oportunidades para que eles possam se reerguer”, afirmou.
O trabalho na fábrica proporciona aos custodiados um salário mínimo e a possibilidade de remição de pena, onde a cada três dias trabalhados, um dia é descontado de sua sentença. Para o município, essa aliança representa uma economia significativa. “O modelo reduz custos com licitações e encargos sociais, beneficiando tanto a população urbana quanto a rural com a realização de obras em praças e escolas”, concluiu o engenheiro.
Roberto Rivelino Nasário, gerente administrativo da unidade em Marabá, complementarmente, explicou que a seleção para os trabalhos prioriza o bom comportamento dos internos. O sistema funciona de forma cíclica, permitindo que, à medida que os detentos progridem em seus regimes, novas vagas sejam abertas, garantindo assim a continuidade do aprendizado.
Reconstruindo Vidas e Identidades
Para os participantes do projeto, a experiência vai muito além da produção de bloquetes; trata-se de uma reconstrução de identidade. Erismar Nunes, de 47 anos e aluno de Marketing Digital, compartilhou sua visão: “Trabalhar aqui nos profissionaliza para um mercado em alta. Tenho orgulho de saber que os bloquetes que fabricamos pavimentarão as ruas onde vivem minha família e amigos”.
Silvânio Lopes, de 50 anos, enxerga a oportunidade como uma forma de recuperar a credibilidade perdida. “Esse trabalho é único e nos prepara para retornar à sociedade, além de ajudar a restaurar a confiança das pessoas em nós”, enfatizou. O interno Mateus Silva, ex-pedreiro, planeja um futuro promissor: “Meu objetivo é progredir de regime e, no futuro, abrir minha própria fábrica de bloquetes, transformando minha experiência aqui em um negócio próprio”.
