Artistas Buscam Reconhecimento em Cuiabá
A cena musical da Baixada Cuiabana está florescendo, mesmo longe dos grandes centros artísticos do Brasil. Com uma diversidade impressionante de gêneros, que vão do rap ao reggae, passando pelo indie, folk e rock, compositores locais estão se firmando com uma música que expressa identidade, resistência e pertencimento. Para esses artistas, produzir em Mato Grosso é tanto uma questão de arte quanto uma luta por visibilidade, especialmente em um cenário onde a cultura sertaneja predomina.
Apesar dos desafios, como a falta de infraestrutura, dificuldades para circular e a escassez de políticas públicas, os músicos de Cuiabá estão transformando suas realidades. Eles não apenas gravam e ocupam palcos, mas também formam um público fiel, mostrando que a distância geográfica não ofusca a força criativa que brota dessa terra.
Os compositores locais insistem em criar uma música que reflita suas vivências. A Baixada Cuiabana não é apenas um pano de fundo, mas uma fonte rica de linguagem, sotaque e memórias. Essa cena musical resiste, pois é impulsionada por uma profunda conexão com a realidade e uma vontade inabalável de expressar o que se sente.
Karola Nunes: A Voz da Resistência
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Karola Nunes, natural de Rondonópolis e integrante da banda Calorosa, é um exemplo claro dessa resistência. Com uma trajetória musical que abrange diversos estilos, desde samba até reggae, Karola começou sua jornada musical ainda na infância, quando se apaixonou pelo violão. Desde 2009, ela reside em Cuiabá, onde acumulou experiências valiosas na cena independente.
“Com 12 anos, comecei a compor canções que faziam sentido para a minha idade”, recorda Karola. Mesmo enfrentando um mercado musical que prioriza o sertanejo, ela acredita que a luta por espaço fora dos gêneros mais consumidos é crucial. “Senti que antes, quem trabalhava fora do sertanejo tinha mais dificuldades”, reflete.
Com quase 20 anos de carreira, Karola enfatiza a importância de entender o que se busca na música. Para ela, o foco deve estar mais no desejo artístico pessoal e na felicidade do que na fama ou no lucro. “Dedicar-se à música demanda tempo, estudo e investimento”, ressalta, evidenciando que a perseverança é chave para quem deseja ver seus sonhos se tornarem realidade.
Cris Chaves: Um Novo Olhar para a música autoral
Natural de Hortolândia, Cris Chaves também se destaca na cena cuiabana. Sua trajetória musical começou cedo, aos 11 anos, em festivais, e aos 18 já havia se mudado para Cuiabá, onde participou de várias bandas e festivais. Ele se tornou um defensor da música autoral, reconhecendo que ainda há espaço limitado para apresentações de trabalhos originais na cidade.
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Cris acredita que a nova geração de músicos está desbravando novos caminhos. “Estamos criando novas formas de encaixar ritmos e influências sem nos prender a rótulos”, afirma, destacando a diversidade da produção musical local, que reflete a riqueza cultural de Mato Grosso.
P-Brother: Rimas e Raízes
Paulo César da Silva, mais conhecido como P-Brother, traz uma perspectiva única à cena musical. Nascido em Paraibuna, São Paulo, mas criado em Cuiabá, P-Brother encontrou na cultura nordestina suas raízes. Com influências que vão do cordel ao rap, ele começou sua carreira como MC nos anos 1990.
“Fui MC de batalha e participei de diversos eventos em todo o Brasil”, relembra. Hoje, ele investe em uma sonoridade que transita por reggae e música de mensagem, mantendo a essência de suas origens. Para P-Brother, a música autoral é fundamental para a construção de uma identidade musical.
Nicolas Shiroma e Paula Shaira: Novas Gerações em Ascensão
Nicolas Shiroma, com mais de dez anos de experiência na música, destaca-se por sua dedicação ao trabalho autoral. Ele acredita que a cena em Cuiabá está em crescimento, impulsionada por uma nova geração que busca espaço e reconhecimento fora da cidade. “Estamos começando a mostrar que existe uma cena vibrante aqui em Mato Grosso”, comenta.
Por sua vez, Paula Shaira, integrante da cena LGBTQIA+ local, traz à tona temas como afeto e pertencimento em suas composições. Apesar das dificuldades, como a necessidade de dividir seu tempo entre a música e outras ocupações, Paula encontrou na arte uma forma de expressar sua essência. “A música sempre foi meu bote salva-vidas”, diz, enfatizando que cada momento dedicado à criação é significativo.
A luta e a criatividade dos artistas da Baixada Cuiabana revelam uma cena musical rica e multifacetada que, apesar de todos os desafios impostos pela distância dos grandes centros, continua a produzir arte de qualidade e a reivindicar seu espaço no cenário nacional.
