Impactos e Previsões Climáticas
A recente 35ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities, divulgada pela StoneX na última terça-feira (14), destaca uma fase de transição climática que pode trazer impactos significativos ao agronegócio. O documento aponta uma maior probabilidade de neutralidade do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS) durante o outono e o início do inverno, mas com um alerta para a possibilidade de um novo El Niño no segundo semestre de 2026.
Conforme o relatório, os principais centros internacionais de monitoramento do clima indicam cerca de 60% de chance de neutralidade entre março e maio e de 70% entre abril e junho, tendência que deve se manter até julho. No entanto, a partir desse ponto, os modelos climáticos começam a sugerir um aquecimento do Pacífico Equatorial, o que eleva as chances de um evento de El Niño.
Cautela Necessária no Setor Produtivo
Para Carolina Giraldo, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o cenário exige cautela por parte dos produtores. “Os próximos meses deverão ser caracterizados por uma instabilidade climática, com o oceano demonstrando sinais de neutralidade, enquanto o aquecimento global segue pressionando as temperaturas e aumentando a volatilidade regional”, alerta a analista.
O relatório também menciona que as temperaturas da superfície do mar estão apresentando anomalias positivas em escala global entre abril e junho, incluindo um aquecimento no Pacífico Equatorial e no Atlântico Sul, o que pode resultar em episódios pontuais de maior umidade no Sul do Brasil.
Chuvas Irregulares e Desafios para a Safra
Quanto às chuvas, as previsões mostram um comportamento irregular ao longo do trimestre. Há expectativa de precipitações abaixo da média em algumas áreas do Sudeste Asiático e da Oceania em abril. Enquanto isso, regiões da América do Sul, como o norte da Argentina e localidades próximas à linha do Equador, podem experimentar volumes superiores ao normal. Para maio e junho, a variação deverá aumentar, com alternância entre períodos de seca e chuva em diferentes partes do continente.
Para o agronegócio, o principal desafio será a irregularidade das precipitações, tanto em termos de volume quanto de distribuição geográfica. “Não é apenas o volume de chuva que conta, mas o quando e onde ela acontece”, ressalta Giraldo.
Incertezas na Safrinha de Milho
No que diz respeito à América do Sul, o quadro atual gera incertezas para a fase final da safrinha de milho. A possível intensificação da corrente de jato subtropical pode dificultar a passagem de frentes frias pelo interior do continente, reduzindo a umidade no Sudeste e Centro-Oeste do Brasil e antecipando o fim do período chuvoso em estados como São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná.
No entanto, a umidade acumulada nos meses anteriores traz perspectivas positivas para a safra 2025/2026, com indícios de supersafra de grãos e uma recuperação parcial de culturas como café e cana-de-açúcar. Apesar disso, o relatório informa que o excesso de chuvas em estados como Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais já ocasionou desafios operacionais, incluindo atrasos na colheita e dificuldades no plantio.
Risco de El Niño e Dipolo Positivo do Índico
O relatório também emite um aviso sobre um risco adicional para o segundo semestre: a possível combinação entre o El Niño e o Dipolo Positivo do Índico. Caso ambos fenômenos se confirmem, poderá haver um aumento do risco de seca em regiões da Oceania e no Norte e Nordeste do Brasil, impactando cadeias agrícolas essenciais e gerando maior volatilidade nos mercados. “O clima está em transição, e as decisões precisam se basear nesse elevado grau de incerteza”, conclui Giraldo.
