A Proposta que Pode Mudar a Saúde em Cuiabá
O governo de Mato Grosso deu um passo significativo para resolver a situação da Santa Casa de Cuiabá, que se tornou um dos principais desafios na saúde pública do estado nos últimos meses. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) obteve a confirmação da Comissão de Credores da antiga Santa Casa sobre a aceitação da proposta de R$ 30 milhões para adquirir o imóvel atualmente ocupado pelo Hospital Estadual Santa Casa. Agora, a proposta será analisada pelo Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT), que decidirá se valida o acordo.
A medida é considerada crucial para encerrar um impasse que se arrasta desde 2019, quando a antiga Santa Casa fechou suas portas e o governo estadual assumiu a unidade, reabrindo o hospital e mantendo o atendimento à população. Desde então, a estrutura foi utilizada pelo poder público, enquanto as dívidas trabalhistas e fiscais da antiga mantenedora são discutidas na Justiça do Trabalho.
Um Problema Prolongado e Reações Políticas
Nos últimos dois anos, a discussão sobre a Santa Casa se intensificou devido à possibilidade de desocupação do imóvel e ao deslocamento dos serviços para o Hospital Central. Em julho de 2025, o governador Mauro Mendes chegou a descartar a participação do Estado no leilão da Santa Casa, alegando que não havia razão para adquirir o prédio com a inauguração de novos hospitais prevista até 2026. Posteriormente, o TRT anunciou um edital de venda judicial da estrutura, com valor mínimo de R$ 54,7 milhões, para cobrir passivos relacionados a aproximadamente 800 processos, que somam cerca de R$ 48 milhões.
A ideia de fechamento da unidade gerou forte reação entre políticos e instituições. A Assembleia Legislativa se manifestou contra o desmonte da Santa Casa, ressaltando sua importância para atendimentos críticos, como oncologia e pediatria. O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, também se posicionou em defesa da manutenção do hospital, argumentando que os pagamentos regulares feitos pelo Estado desde 2019 representavam, na prática, uma aquisição parcelada do imóvel.
A Mudança de Rumos e Novas Propostas
A situação começou a apresentar mudanças mais significativas em janeiro de 2026. O secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, reconheceu que a demanda da Santa Casa não poderia ser totalmente absorvida pelo Hospital Central, afirmando que apenas 80% dos serviços seriam transferidos. Áreas como oncologia e hemodiálise necessitariam de acordos com outras instituições. Em 11 de fevereiro, o governador Mauro Mendes apresentou uma proposta inicial de R$ 25 milhões para a compra do prédio, reconhecendo a impossibilidade de transferência total dos serviços essenciais.
Com a resistência dos credores, o governo decidiu aumentar a oferta para R$ 30 milhões em março, buscando destravar o acordo que garantiria a permanência da Santa Casa na rede estadual. Esta nova proposta foi formalizada após diálogo com a comissão de credores e agora aguarda a aprovação do TRT.
“Estamos tratando esta questão com seriedade e, agora, estamos próximos de uma definição importante. Essa situação se arrasta há muito tempo, mas estamos cada vez mais próximos de uma solução que assegure a continuidade do atendimento à população”, declarou o governador Otaviano Pivetta.
Próximos Passos e Investimentos no Hospital
Caso o acordo seja homologado pela Justiça do Trabalho, o processo seguirá para a formalização da aquisição do imóvel. Além dos recursos já investidos pelo Estado desde 2019, que ultrapassam R$ 60 milhões, um novo plano operativo foi apresentado pela SES-MT, com foco em seis áreas: home care, cuidados paliativos, central de diagnóstico, ampliação de serviços existentes, hospital-dia e serviços especializados, além da implantação do Serviço de Verificação de Óbito (SVO).
O hospital contará com um total de 196 leitos, sendo 70 destinados a home care, 40 para cuidados paliativos, 30 em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), 20 em Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) e 36 leitos cirúrgicos. Segundo o cronograma da Secretaria de Saúde, os atendimentos em nefrologia, oncologia e manutenção de cirurgias devem ter início entre maio e julho de 2026, enquanto a ampliação do atendimento paliativo e a implantação do hospital-dia estão agendadas para agosto e novembro deste ano. A central de diagnósticos, o SVO e o home care devem entrar em funcionamento entre dezembro de 2026 e março de 2027.
