Governo de Mato Grosso planeja corte de R$ 1 bilhão nas despesas anuais
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) anunciou que o Estado de Mato Grosso vai reduzir em até R$ 1 bilhão por ano as despesas com uma reforma administrativa ampla. O objetivo é diminuir a estrutura estatal e aumentar a eficiência da gestão pública, incluindo cortes em veículos e simplificação de processos.
O plano estratégico, que será concluído até o final da próxima semana, está sob responsabilidade de um grupo técnico formado por dez servidores de carreira e conta com a participação da vice-governadora eleita Gisela Simona (União). Segundo Pivetta, “não é só redução da máquina, é reforma administrativa, simplificação dos processos e outros ajustes”.
Medidas para ajustar o tamanho do Estado à capacidade financeira da população
O governador destacou que a reforma visa adequar a máquina pública à capacidade que a população tem de sustentá-la. “Temos que diminuir o peso do Estado sobre o trabalhador e faremos isso”, afirmou. Entre as ações previstas estão contenção de despesas, modernização dos sistemas e simplificação para transferências voluntárias de recursos aos municípios.
O cenário fiscal do Estado pressiona a decisão. Pivetta citou projeção de perda de R$ 6 bilhões no Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) nos próximos quatro anos, o que equivale a R$ 1,5 bilhão por ano. Diante disso, o foco está em eliminar desperdícios para garantir investimentos em áreas prioritárias como habitação, saneamento básico e infraestrutura urbana.
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Possíveis ajustes no quadro de servidores e estrutura administrativa
Apesar das dúvidas sobre demissões, Pivetta evitou detalhar cortes no quadro de servidores. “Eu não vou falar de demissão. Algumas pessoas serão desconvidadas, talvez”, declarou. Quanto ao primeiro escalão, o governador indicou que o número de secretarias pode ser mantido, porém com organograma mais enxuto e menos burocrático, valorizando os quadros de carreira.
Transferência de rodovias estaduais para prefeituras
Outra medida do pacote é a transferência de cerca de 12 mil quilômetros de rodovias estaduais para os municípios, acompanhada de repasses financeiros para a manutenção dessas estradas. Essa mudança visa descentralizar a gestão e estimular os municípios a assumirem responsabilidades sobre sua infraestrutura rodoviária.
Pesquisa científica destaca potencial da frutífera camu-camu na Amazônia
Enquanto o governo trabalha na reforma administrativa, a ciência avança na conservação e aproveitamento sustentável da biodiversidade amazônica. Um estudo do Programa de Pós-graduação em Agronomia (PPGA) da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) no Câmpus de Ilha Solteira investiga a frutífera camu-camu (Myrciaria dubia), parente da jaboticaba conhecida por sua alta concentração de vitamina C, que supera a acerola em 20 a 30%.
Coordenada pelo professor Antonio Flávio Arruda Ferreira e conduzida pelo engenheiro agrônomo e mestrando Marcelo da Silva Luiz, a pesquisa estuda populações da espécie no arco do desmatamento, no Cristalino (FEC), incluindo reservadas particulares do patrimônio natural (RPPNs). O objetivo é preservar a espécie e fomentar o cultivo em terra firme, ampliando sua produção e gerando renda para comunidades locais.
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Mapeamento e análise genética da espécie nas reservas do Cristalino (FEC)
Em outubro, o pesquisador percorreu as margens do rio Cristalino, mapeando plantas nativas e coletando frutos para análise. O estudo investiga se as plantas são originárias de uma única matriz e analisa o teor de vitamina C e antocianinas, compostos valorizados pelas indústrias cosmética e farmacêutica.
Simultaneamente, a pesquisa avalia a germinação das sementes e o crescimento das mudas fora do ambiente alagado típico da várzea, testando diferentes condições de luminosidade para o desenvolvimento das plantas em terra firme.
Parceria com a Fundação Ecológica Cristalino (FEC) fortalece conservação e produção sustentável
A colaboração com a Fundação Ecológica Cristalino (FEC) apoia a pesquisa científica nas RPPNs Cristalino, ampliando o conhecimento sobre a biodiversidade amazônica e suas formas de conservação. A iniciativa visa desenvolver técnicas para a produção de mudas, manejo sustentável e restauração ecológica, beneficiando a conservação ambiental e as comunidades ribeirinhas, indígenas e agricultores familiares da região.
Resultados esperados incluem publicações científicas e materiais didáticos que orientem o plantio e manejo do camu-camu, contribuindo para dar visibilidade à fruta e explorar seu potencial econômico de forma sustentável.
