Tradições que Antecedem o Estado
Mato Grosso do Sul celebra 49 anos de criação neste domingo (11), mas suas raízes culturais são muito mais antigas. Antes da divisão do antigo Mato Grosso, em 1977, práticas como o consumo do tereré, a música de fronteira e as festas populares já faziam parte do cotidiano da região. A presença marcante dos povos indígenas e os costumes pantaneiros compõem uma história que atravessa gerações, consolidando uma identidade que não se limita à data oficial de fundação.
Música e Identidade Regional
Uma das composições mais emblemáticas da região, “Trem do Pantanal”, foi criada por Paulo Simões e Geraldo Roca na década de 1970, antes mesmo da formação do Estado. A canção ganhou projeção nacional na voz de Almir Sater e segue sendo um símbolo da cultura sul-mato-grossense. A música regional mistura influências brasileiras e paraguaias, refletindo a diversidade cultural que se manifesta também em nomes como Tetê Espíndola, Geraldo Espíndola e Helena Meirelles.
Formação Histórica e Fronteiras Culturais
A criação oficial do Estado aconteceu em 11 de outubro de 1977, quando o presidente Ernesto Geisel sancionou a Lei Complementar nº 31 durante o regime militar. A instalação ocorreu em 1º de janeiro de 1979, com Campo Grande como capital. Apesar das fronteiras administrativas, a população mantém tradições ancestrais. Povos indígenas como Guarani, Kaiowá, Terena, Kadiwéu e Guató continuam ativos, influenciando a cultura local por meio de artesanato, alimentação e rituais que preservam sua ligação com a natureza.
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Influências de Países Vizinhos e Imigrações
A proximidade com Paraguai e Bolívia reforça características únicas da região. Em cidades como Ponta Porã, Bela Vista e Corumbá, a convivência com idiomas, culinárias e costumes dos países vizinhos é rotina. O tereré, de origem guarani, é um exemplo dessa identidade compartilhada, presente tanto nas pequenas comunidades quanto nos centros urbanos. A culinária sul-mato-grossense destaca pratos como a chipa, a sopa paraguaia, o arroz carreteiro e o churrasco com mandioca.
A Presença Japonesa e a Diversidade Interna
Em Campo Grande, a imigração japonesa contribuiu para o mosaico cultural local. O sobá, prato típico de Okinawa, adaptou-se ao paladar regional e foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial da cidade. Além da gastronomia, a influência japonesa é visível na agricultura e no comércio. A diversidade cultural é ampliada ainda mais pelas famílias oriundas de outras regiões do Brasil, como São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, que trouxeram novos hábitos, sotaques e tradições para convivência com os costumes locais.
Patrimônio e Cultura Pantaneira
O Pantanal, embora ocupe uma parte do território, é central na cultura sul-mato-grossense. A vida ligada aos rios, à pesca e ao trabalho nas fazendas moldou costumes que aparecem em festas, música e literatura. A viola de cocho, associada ao cururu e ao siriri, é um instrumento artesanal que simboliza essa herança compartilhada entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Eventos tradicionais como o Banho de São João, em Corumbá, reúnem famílias em cerimônias que são patrimônios culturais imateriais.
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Literatura e Expressões Artísticas
Na literatura, Manoel de Barros é um dos principais nomes, destacando-se por transformar elementos do Pantanal em poesia que alcança diversas gerações. A música regional, por sua vez, incorpora ritmos brasileiros e paraguaios, criando uma produção reconhecida nacionalmente. Artistas e grupos culturais continuam preservando e renovando a cultura local por meio de festivais, feiras e apresentações, garantindo a circulação dessas expressões além da capital.
Transformações e Continuidade Cultural
Com quase cinco décadas, o Estado viu suas cidades crescerem e se modernizarem, mas sem perder as tradições que o formaram. A convivência entre indústrias, universidades e comunidades rurais mantém vivas as raízes culturais. O aniversário de 49 anos antecede os 50 anos de Mato Grosso do Sul, que chegam em 2027, reafirmando a importância da história que vai além da data oficial e se manifesta nas vidas das pessoas que vivem e transformam a região.
De aldeias indígenas a bairros urbanos, a cultura sul-mato-grossense segue construída por diferentes histórias que dialogam com o passado e se renovam no presente.
