Empresas Valorizam Aprendizado em Estágios
Um estudo recente, encomendado pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e conduzido pelo Instituto Locomotiva, revela que 84% das empresas brasileiras consideram a disposição para aprender mais importante do que a excelência em habilidades técnicas na hora de selecionar estagiários. A pesquisa, que abrangeu 260 profissionais de recursos humanos e coordenadores de programas de estágio, demonstra que as competências comportamentais e a capacidade de aprendizado contínuo estão ganhando destaque, enquanto as habilidades técnicas tradicionais perdem relevância.
De acordo com os dados, 68% das organizações ainda estruturam seus programas de estágio com contratações sob demanda, enquanto apenas 32% possuíam programas de estágio contínuos ao longo do ano. A maioria dos modelos de estágio adotados é generalista, com ciclos de até dois anos, formato este seguido por 90% das empresas que implementam programas estruturados. É importante lembrar que, com exceção de estagiários com deficiência (PCD), a Lei nº 11.788/2008, também conhecida como Lei do Estágio, determina um prazo máximo de dois anos para a realização do estágio na mesma empresa.
Critérios de Seleção Focam em Soft Skills
No que diz respeito ao processo seletivo, o desejo de aprender se destaca como o principal critério citado pelos empregadores. As chamadas soft skills, que incluem disciplina, pontualidade, postura profissional, proatividade e alinhamento cultural, aparecem consistentemente à frente das hard skills, que são vistas como requisitos básicos, mas não determinantes.
Embora a importância do estágio como um canal para formar talentos seja amplamente reconhecida, o estudo também revela desafios significativos enfrentados pelas empresas. A rotatividade de estagiários é a maior preocupação, apontada por 26% das organizações com programas estruturados. Além disso, 17% dos entrevistados concordam que muitos estagiários desistem de suas posições por considerarem as condições oferecidas insatisfatórias, especialmente em relação ao valor das bolsas-auxílio e à necessidade de conciliar trabalho com estudos.
O Papel da Liderança e a Flexibilidade nos Estágios
O papel da liderança direta é visto como crucial para o sucesso dos programas de estágio. De acordo com a pesquisa, 78% das empresas acreditam que o desenvolvimento do estagiário está mais atrelado à atuação do gestor do que ao modelo de trabalho adotado. Ademais, 85% dos entrevistados reconhecem a necessidade de um treinamento específico para gestores, visando garantir um acompanhamento adequado e uma melhor performance dos estagiários.
Embora 85% dos programas de estágio ainda operem de forma totalmente presencial, a pesquisa aponta um desalinhamento com as expectativas dos estudantes. Surpreendentemente, 55% das empresas admitem que os estagiários preferem modalidades mais flexíveis, enquanto 83% consideram que o formato presencial aumenta as chances de efetivação, revelando uma tensão entre aprendizado, retenção e atratividade.
A Importância das Empresas Integradoras
Nesse cenário, as empresas integradoras se destacam como parceiras estratégicas. Um impressionante 93% das organizações afirmam que essas colaborações garantem o cumprimento das exigências legais, 88% reconhecem um impacto positivo na qualidade das contratações e 81% notam uma melhoria no desempenho dos estagiários ao longo do programa.
Rodrigo Dib, superintendente institucional do CIEE, comenta que os dados sugerem que programas de estágio mais eficazes são aqueles que equilibram estrutura, acompanhamento gerencial e foco no desenvolvimento de competências comportamentais. “Mais do que exigir domínio técnico na entrada, as empresas que investem em aprendizagem contínua e liderança capacitada tendem a obter maior retenção, melhor desempenho e taxas mais altas de efetivação”, conclui o executivo.
