Reação da Oposição ao Ato Cultural
Um desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, realizado no último domingo (15) na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, desencadeou reações acaloradas entre bolsonaristas em Mato Grosso. Entre os críticos, destacam-se o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), o senador Wellington Fagundes (PL), o deputado federal Coronel Assis (União) e o vereador Rafael Ranalli (PL). Eles manifestaram nas redes sociais sua insatisfação, alegando que a apresentação superou os limites da festa e tornou-se uma propaganda política antecipada, utilizando-se da máquina pública.
Abilio Brunini, em tom de ironia, comentou sobre o desfile, que, segundo ele, expôs o que considera ser a “máscara” da esquerda. Ele destacou que, mesmo com a tentativa de Lula de se aproximar do eleitorado evangélico, a apresentação no Carnaval demonstrou um desprezo por cristãos e conservadores. “Agora a máscara cai. O que deveria ser uma homenagem ao Lula se transforma em um ato de pré-campanha. Eles desprezam os evangélicos, os cristãos e não têm vergonha de se manifestar”, disparou o prefeito.
Brunini ainda questionou a compatibilidade do Carnaval com os valores da fé cristã, ressaltando que a festa não deveria servir para esse tipo de manifestação política.
Exaltação ou Campanha?
O senador Wellington Fagundes também se uniu às críticas, afirmando que o desfile ultrapassou os limites da manifestação cultural e se transformou em um verdadeiro ato de campanha antecipada. “O que assistimos não foi uma expressão artística. Foi um ato de pré-campanha”, comentou Fagundes, que acentuou que o uso de um palco público para exaltar um político enquanto se deboche da fé cristã é uma grave violação de respeito.
Coronel Assis, outro crítico da apresentação, lamentou o fato de que o desfile foi televisionado em rede nacional. Para ele, o evento foi muito mais do que um simples desfile, pois trouxe referências a partidos políticos, ataques a adversários e uma narrativa claramente favorável ao atual presidente, tudo isso fora do período eleitoral. “Não se tratou apenas de um desfile, mas de um evento televisionado que trouxe samba, citações de partidos, ataques a adversários e uma narrativa a favor do presidente”, destacou.
Além disso, o deputado ressaltou que, para ele, a situação não foi espontânea e que houve envolvimento de recursos públicos. Ele menciona também a suposta participação da primeira-dama, Janja, na tentativa de aproximar a escola de samba do presidente, o que, na visão de Assis, representa um abuso do poder público. “Estamos falando de agentes públicos, de estrutura de poder e de recursos públicos envolvidos”, afirmou.
Indignação e Repúdio
O vereador Rafael Ranalli, indignado, também gravou um vídeo para expressar seu repúdio à situação. Segundo ele, é inadmissível que o poder público financie festas de Carnaval que, no entender dele, ridicularizam os conservadores, um grupo que, segundo o vereador, representa uma parcela significativa da população brasileira. “É sem cabimento, inadmissível o poder público patrocinar festas de carnaval”, disse Ranalli, acrescentando que, independentemente das ideologias, não é justo zombar de uma parte considerável da população.
Ele ainda criticou a maneira como o desfile retratou o ex-presidente Jair Bolsonaro e a fé cristã, ressaltando a necessidade de respeito por todos os cidadãos, independentemente de suas crenças ou convicções políticas.
A apresentação da Acadêmicos de Niterói incluiu referências a adversários políticos, com um retrato provocativo do ex-presidente Jair Bolsonaro, representado como “Bozo” em uma cela, além de menções a pautas defendidas pelo governo, como a taxação de bilionários e a proposta de alteração na escala de trabalho 6×1. O episódio, portanto, se transformou em um dos pontos mais debatidos nas redes sociais, evidenciando a polarização política que permeia o cenário atual brasileiro.
