Cenário de Valorização dos Fertilizantes
Nos primeiros dias de fevereiro, os fertilizantes mantêm uma trajetória de alta no mercado internacional, conforme reportado pela Fertilizer Week. Essa tendência é resultado do aumento constante dos preços dos principais nutrientes utilizados na agricultura, com poucas expectativas de queda no curto prazo.
A análise revela que os preços de nitrogênio, fosfato e potássio, que são insumos essenciais para a produção agrícola, continuam a subir. Produtos como ureia, DAP (fosfato diamônico) e MOP (cloreto de potássio) estão entre os mais impactados por essa valorização.
Valorização de Insumos Essenciais
A ureia, por exemplo, tem demonstrado oscilações recentes, mas sua tendência geral é de alta quando comparada aos preços de janeiro de 2020. Já o DAP se destacou, apresentando a maior valorização entre os fertilizantes, alcançando índices muito acima dos verificados no início do período analisado.
O MOP, apesar de uma valorização mais moderada, continua operando acima da média histórica, reforçando a pressão sobre os custos de produção agrícola, não apenas no Brasil, mas também em outros países produtores.
Pressões nas Matérias-Primas
O aumento dos preços das matérias-primas, fundamentais para a produção de fertilizantes, também contribui para o cenário de custos elevados. O enxofre, por exemplo, teve um aumento significativo, alcançando níveis bem acima da média histórica, o que encarece a produção de fertilizantes fosfatados.
A rocha fosfática, por sua vez, apresenta uma leve tendência de alta, mantendo-se relativamente estável. Em contrapartida, a amônia foi uma exceção, registrando uma queda discreta nos preços, após um longo período de estabilidade no mercado internacional.
Gestão Rigorosa de Custos se Faz Necessária
De acordo com José Carlos de Lima Júnior, sócio da Markestrat Group e cofundador da Harven Agribusiness School, o atual cenário demanda uma gestão de custos mais rigorosa e um planejamento cuidadoso das compras por parte dos produtores rurais. “A combinação entre o aumento dos preços das matérias-primas e dos fertilizantes finais cria um ambiente de custos elevados. Isso requer que os produtores fiquem mais atentos à gestão financeira nas próximas semanas”, destaca o especialista.
Queda na Produção de Laranja e Desafios no Setor
Em outro aspecto relevante para o agronegócio, a terceira reestimativa da safra de laranja 2025/26 no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro revelou uma produção total de 292,6 milhões de caixas de 40,8 kg, conforme dados divulgados pelo Fundecitrus. Esse número representa uma redução de 0,7% em relação à segunda reestimativa de dezembro de 2025 e uma queda de 7% em comparação com a estimativa inicial de maio, que previa 314,6 milhões de caixas.
Impacto das Condições Climáticas
O principal fator para essa redução na produção é o menor tamanho médio das laranjas das variedades tardias, incluindo Valência, Folha Murcha e Natal. Esse fenômeno é resultado de chuvas abaixo da média durante grande parte do ciclo produtivo. Entre maio de 2025 e janeiro de 2026, a precipitação média acumulada foi 10% inferior à média histórica, com 862 milímetros registrados, em comparação a 959 milímetros do mesmo período anterior.
Até meados de janeiro, 87% da colheita foi concluída, com um peso médio de 153 gramas por fruto, levemente abaixo da previsão anterior de 154 gramas. Este declínio levou a um aumento no número de laranjas necessárias para compor uma caixa de 40,8 kg, passando de 265 para 267 unidades.
Desafios à Vista para os Produtores
As chuvas irregulares observadas nas regiões do cinturão citrícola também têm se mostrado preocupantes. Em 10 das 12 regiões produtoras, as chuvas ficaram abaixo da média, exceto no setor Sul, que abrange Porto Ferreira e Limeira, onde os volumes foram superiores à média histórica.
Além disso, a queda prematura de frutos continua elevada, chegando a 23%, o maior índice das últimas 11 safras, influenciado pela disseminação da doença greening, que compromete a sanidade dos pomares. As perdas variam conforme a variedade, sendo que as taxas de queda mais intensas ocorrem nas variedades tardias.
A pesquisa realizada pelo Fundecitrus, em colaboração com o professor José Carlos Barbosa da FCAV/Unesp, confirma as tendências de redução de safra e os desafios enfrentados pelos produtores em decorrência das condições climáticas adversas e da propagação de doenças.
