Investigação de Denúncias de Assédio em Cuiabá
A Câmara Municipal de Cuiabá tomou uma decisão importante ao aprovar a criação de uma comissão especial para investigar as sérias alegações de assédio moral e sexual referentes ao ex-secretário municipal de Desenvolvimento e Trabalho, William Leite de Campos. A proposta, encabeçada pela vereadora Dra. Mara (Podemos), recebeu um expressivo apoio no Legislativo, sendo aprovada por 22 parlamentares, com apenas uma abstenção, demonstrando o comprometimento da Casa em proporcionar transparência e rigor no processo investigativo.
A vereadora Dra. Mara, ao anunciar a formação do grupo, destacou a urgência da ação por parte do poder público diante da gravidade das acusações. “Esta Casa não pode se omitir. É uma oportunidade de demonstrar que o Legislativo está atento e comprometido com o enfrentamento ao assédio sexual”, afirmou a parlamentar. Além disso, a vereadora presidirá a comissão, enquanto os outros membros serão escolhidos pelo Colégio de Líderes. O vereador Daniel Monteiro (Republicanos), que anteriormente defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para o caso, expressou interesse em participar do grupo de trabalho.
Histórico das Denúncias e Exoneração
A comissão irá investigar as denúncias que levaram William Leite de Campos a pedir exoneração do cargo na última sexta-feira, 6 de fevereiro. Essa renúncia aconteceu poucas horas depois que uma ex-servidora municipal formalizou um boletim de ocorrência detalhando episódios de assédio moral e sexual. De acordo com o registro, os incidentes teriam ocorrido ao longo de 2025, nas dependências da Prefeitura de Cuiabá, durante a execução de suas funções e sob um contexto de subordinação.
A denunciadora revelou que a decisão de deixar o cargo ocorreu meses após os episódios e que o medo de exposição pública e a preocupação em prejudicar um familiar que ocupava um cargo em outra secretaria a impediram de denunciar antes. “Não formalizei a denúncia à época por medo de exposição e receio de prejudicar familiar nomeado em outra secretaria. Somente agora, após tomar conhecimento de denúncias anteriores, senti-me segura para registrar a ocorrência”, explicou ela no boletim.
Denúncias Anteriores e o Papel da Comissão Especial
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), informou que já havia encaminhado denúncias anteriores contra William Leite de Campos ao Ministério Público e à Polícia Judiciária, mas essas apurações foram arquivadas devido à falta de provas. Agora, com o boletim de ocorrência formalizado pela ex-servidora, uma nova investigação, mais aprofundada, deverá ser iniciada.
A instituição da comissão especial pela Câmara Municipal reafirma o compromisso do Legislativo em investigar rigorosamente as denúncias, buscando assegurar um ambiente de trabalho seguro e respeitoso para todos os servidores. A expectativa é que a comissão possa trazer clareza aos fatos e responsabilizar os envolvidos, caso as acusações se confirmem.
Conflito na Câmara e Defensores da Verdade
Em um dia repleto de tensões e debates na Câmara Municipal de Cuiabá, a vereadora Maysa Leão (Republicanos) teve um embate direto com o prefeito Abílio Brunini (PL) na manhã do dia 10 de fevereiro. Demonstrando firmeza e compromisso com a verdade, Maysa interveio em uma coletiva de imprensa do prefeito para exigir esclarecimentos sobre declarações feitas que envolviam seu nome e o trabalho de sua equipe.
A situação começou quando Abílio, ao comentar sobre a possível criação de uma CPI para investigar supostas denúncias de assédio sexual na prefeitura, fez referências a um caso polêmico de uma adolescente que relatou abusos em uma audiência pública coordenada por Maysa em agosto do ano passado. A jovem era assistida pela ONG Lírios, que apoia mulheres e crianças vítimas de violência doméstica. O prefeito questionou a adequação da exposição da menor, levantando um debate sobre as responsabilidades em situações como essa.
Frente às referências ao seu trabalho e ao nome de sua assessora, Maysa não hesitou em confrontar o prefeito. Com determinação, pediu: “Eu gostaria de saber o que o senhor falou a respeito do meu nome e de uma assessora minha. Fale na minha frente!”. A atitude da vereadora evidenciou sua disposição em proteger sua integridade e exigir respostas diretas.
Durante essa troca acalorada, o prefeito insinuou que a coordenadora de campanha de Maysa, que é também presidente da ONG Lírios, teria recebido R$ 4 milhões do Ministério da Agricultura e Pecuária, liderado pelo ministro Carlos Fávaro (PSD). Abílio questionou a atuação da ONG e a presença da adolescente no plenário, baseando a discussão no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Maysa, por sua vez, refutou as alegações como “ilações” e “violência política de gênero”. A vereadora, mantendo a postura de transparência, desafiou Abílio a formalizar qualquer denúncia caso possuísse provas concretas. “Se vai fazer uma denúncia, não prevarique. Se sabe de ilícitos, vá ao Ministério Público”, concluiu Maysa, reafirmando seu compromisso com a ética na política.
Apesar das tentativas de seus assessores de acalmar a situação e encerrar o debate, Maysa Leão permaneceu firme em sua posição, ressaltando a importância de que discussões sejam fundamentadas em fatos e não em suposições. O embate, que durou cerca de 10 minutos, evidenciou a determinação da vereadora em não se calar diante de acusações infundadas e em defender a seriedade de seu trabalho e das iniciativas voltadas para a sociedade cuiabana.
