O Desafio da Desinformação no Agronegócio
José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC), destaca a crescente preocupação com a desinformação no setor agropecuário. A facilidade com que informações circulam na era digital trouxe à tona um desafio que vai além da tecnologia, alcançando questões éticas, econômicas e institucionais. Esse fenômeno é especialmente perigoso para o agronegócio brasileiro, um pilar fundamental da segurança alimentar, da geração de empregos e do equilíbrio da balança comercial. Notícias falsas podem distorcer percepções, prejudicar reputações e, o mais grave, impactar decisões tanto públicas quanto privadas, baseadas em dados incorretos.
Entidades representativas do setor, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e diversas Federações estaduais, têm vindo a público para alertar sobre a propagação intencional de desinformação, frequentemente veiculada através de narrativas simplificadas e ideologizadas. Essas narrativas visam desqualificar a produção agropecuária nacional e atribuem de maneira leviana ao campo a responsabilidade por questões complexas, como mudanças climáticas e crises ambientais. Ignora-se as regulamentações legais, científicas e tecnológicas que fundamentam a atividade rural no Brasil.
Afirmações infundadas, como a alegação de falta de controle no uso de água para irrigação ou a ideia equivocada de que a produção agrícola avança sem restrições sobre áreas protegidas, não se sustentam frente a uma análise mais crítica. Essas falácias não apenas comprometem a imagem do agronegócio, mas também dificultam o diálogo social, criando uma falsa dicotomia entre o campo e a cidade.
A Construção de uma Nova Percepção
O produtor rural, que muitas vezes é visto como o vilão da história, na verdade, é um protagonista de inovações relevantes em áreas como produtividade sustentável, rastreabilidade e bem-estar animal. O abismo entre a percepção pública e a realidade no agronegócio gera efeitos concretos, como restrições comerciais baseadas em argumentos infundados e políticas públicas que não refletem a realidade da produção. Portanto, é crucial que a sociedade compreenda o papel fundamental que o agronegócio desempenha no desenvolvimento sustentável.
Contrariando a ideia de que a desinformação deve ser combatida negando a necessidade de melhorias, é essencial promover a transparência e facilitar o acesso à informação qualificada. Além disso, é necessário valorizar o conhecimento técnico-científico e incentivar o pensamento crítico. Essa luta contra a desinformação deve contar com a colaboração de instituições representativas, da imprensa profissional, da comunidade acadêmica e da sociedade civil.
Compromisso com a Verdade e a Sustentabilidade
A FAESC, por sua vez, se propõe a utilizar todos os seus canais de comunicação para disseminar informações verificáveis e confiáveis sobre o universo rural. O combate à desinformação sobre o agronegócio é uma tarefa contínua que exige um compromisso firme com os fatos, respeito à ciência e uma disposição genuína para o diálogo. Defender a verdade sobre o campo brasileiro é, na essência, defender o desenvolvimento sustentável e a soberania alimentar. O futuro de milhões de famílias que produzem com responsabilidade e sob uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo está em jogo. Dessa forma, o enfrentamento à desinformação no agronegócio se torna não apenas uma obrigação institucional, mas também um dever cívico.
