Dedicação e Cuidado no Aquário Municipal
Mais do que um atrativo turístico, o Aquário Municipal Justino Malheiros se destaca como um verdadeiro espaço de aprendizado e interação com a natureza. Localizado no Complexo Biocultural do Porto em Cuiabá, este aquário oferece acesso gratuito e promove uma rica experiência aos visitantes, revelando a biodiversidade dos rios e biomas de Mato Grosso, Amazônia, Pantanal e Cerrado. A gestão do aquário, no entanto, vai muito além da simples observação: uma rotina rigorosa de cuidados com os animais garante a saúde e o bem-estar dos peixes, essenciais para uma experiência educativa enriquecedora.
À frente dessa missão estão o médico-veterinário Udson Rogério Garcia Junior e o biólogo Matheus Augusto dos Santos Lima, que trabalham no aquário desde sua reinauguração. Eles dedicam-se a traduzir a complexidade do cotidiano “por trás dos vidros”, enfatizando que cada detalhe é crucial para o bem-estar dos peixes e a satisfação dos visitantes.
Check-in Diário dos Animais
A rotina começa antes da abertura ao público, com uma avaliação minuciosa da saúde dos animais. Chamado de “check-in”, esse procedimento inclui a observação do comportamento dos peixes e a inspeção dos sistemas que sustentam a vida aquática, como bombas de circulação, filtragem pressurizada e aeração. Além disso, análises químicas da água são realizadas para garantir que os parâmetros essenciais, como pH e níveis de amônia, estejam dentro do ideal.
“A água é a casa do peixe. Qualquer mudança impacta diretamente na sua saúde”, afirma Udson. Por isso, o monitoramento é constante e realizado de maneira preventiva, evitando problemas antes que eles surjam. O resultado desse cuidado resulta em índices de perda de animais menores que 5% ao longo de um ano, sendo que a maioria das perdas ocorre por causas naturais.
Manutenção da Água e Ambiente Aquático
O aquário abriga cerca de 360 mil litros de água, distribuídos em 22 recintos, o que exige um esforço conjunto altamente especializado para manter a qualidade da água. Um dos principais procedimentos é a realização de Trocas Parciais de Água (TPAs), que renovam até 30% do volume total periodicamente. Este processo é apoiado pela equipe de mergulho, que remove detritos do fundo dos tanques, prevenindo a decomposição e a toxicidade da água.
A limpeza dos recintos e cenografia é igualmente crucial, proporcionando um ambiente agradável para os visitantes e biologicamente equilibrado para os peixes. Cada conjunto de tanques opera com seis sistemas de filtragem independentes, permitindo ajustes conforme as necessidades de cada espécie. “Essa divisão é essencial para respeitar as particularidades de cada peixe”, enfatiza o veterinário.
Nutrição e Alimentação Adequadas
A nutrição é outro pilar fundamental nos cuidados diários. Os peixes recebem rações específicas que correspondem aos seus hábitos alimentares naturais. Por exemplo, espécies carnívoras têm uma dieta rica em proteína, enquanto os onívoros recebem uma alimentação balanceada que respeita suas características. Udson ilustra: a piraputanga, um peixe onívoro, tem preferência por uma dieta herbívora, enquanto o piau solicita mais proteína. Já o abotoado, que se alimenta no fundo, recebe uma combinação de nutrientes vegetais e proteínas.
Além de seguir a legislação ambiental rigorosamente, o aquário não aceita doações de peixes, mitigando os riscos sanitários. Todos os animais devem ter documentação legal e muitos são microchipados para um controle efetivo. Novos peixes passam por um período de quarentena antes de serem introduzidos aos tanques principais, assegurando a segurança do ecossistema.
Condicionamento e Comportamento Natural
A rotina do aquário busca replicar as condições naturais o máximo possível, incluindo o ciclo de iluminação que simula o dia. Com luzes acesas entre 7h30 e 18h, os peixes recebem entre 10 a 12 horas de luminosidade, conforme a estação do ano. “Mesmo sem pálpebras, os peixes necessitam de descanso”, observa Udson. O cuidado é redobrado para as espécies noturnas, que mantêm seus hábitos naturais, garantindo o equilíbrio e bem-estar dos animais.
Educação e Conscientização dos Visitantes
Uma parte essencial do trabalho do Aquário Municipal é educar os visitantes sobre como se comportar durante a visita. Udson estabelece três regras cruciais:
- Manter o silêncio, já que a água transmite som com facilidade, o que pode estressar os peixes;
- Evitar tocar ou bater nos vidros, pois impactos afetam os animais;
- Não usar flash durante as fotografias, uma vez que a luz intensa pode ser agressiva.
“Quando os visitantes reconhecem que estão diante de seres vivos, a percepção muda. O aquário se torna não apenas um espaço de lazer, mas um local de aprendizado e respeito”, conclui o veterinário.
