Responsabilidade Individual nas Acusações
O vereador Tenente Coronel Dias, do partido Cidadania, afirmou que o afastamento do colega Chico 2000, que não está vinculado a nenhum partido, não compromete a imagem da Câmara Municipal de Cuiabá. Segundo Dias, a conduta do vereador deve ser avaliada de maneira individual e que a responsabilidade pelas alegações de irregularidades recai unicamente sobre o acusado.
Chico 2000 foi afastado por ordem judicial durante a Operação Gorjeta, que é conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor). Esta situação reacendeu discussões no interior do Legislativo local, onde atualmente há dois pedidos de cassação em análise contra o parlamentar. Dias enfatizou que cada denúncia deve ser investigada com seriedade e que as ações das autoridades competentes, como a Polícia e o Ministério Público, contribuem para um aperfeiçoamento da política.
“É necessário que cada denúncia seja devidamente fiscalizada. As iniciativas da Polícia e do Judiciário, na verdade, fortalecem a nossa política”, declarou.
Desgaste Não Pode Ser Generalizado
Para o vereador, é impróprio generalizar os desgastes que podem surgir a partir de casos como o de Chico 2000. “Cada político possui sua própria identidade e reputação. Temos bons representantes e aqueles que frequentemente aparecem em situações negativas. O eleitor deve estar atento e avaliar corretamente quem merece seu voto”, ponderou Dias.
Ao ser questionado sobre a abertura de uma comissão processante, Tenente Coronel Dias preferiu não se posicionar antecipadamente e ressaltou a necessidade de evidências robustas antes de qualquer decisão. “É crucial que tenhamos provas concretas que justifiquem qualquer ação”, afirmou, lembrando críticas ao manejo de processos de cassação na legislatura anterior.
Pedido de Cassação e Denúncias
No momento, a Câmara de Cuiabá está analisando dois pedidos de cassação contra Chico 2000. O segundo pedido foi lido em plenário durante a sessão ordinária na última terça-feira (5). A nova representação foi apresentada pelo servidor público e jornalista Juliano Rafael Teixeira Enamoto, que argumentou que as acusações de quebra de decoro parlamentar são severas o bastante para impactar diretamente a imagem do Legislativo municipal.
O documento menciona suspeitas de desvio de recursos públicos, formação de associação criminosa e lavagem de dinheiro, alegações que, caso confirmadas, feririam a credibilidade da Câmara. A representação também sugere a existência de um esquema para direcionar emendas parlamentares a um instituto sem fins lucrativos e a empresas privadas, com possíveis retornos financeiros para o parlamentar que fez as indicações.
Este novo pedido se junta à representação já apresentada anteriormente pelo ex-juiz federal e advogado Julier Sebastião da Silva, que também denunciou quebra de decoro parlamentar. Ambas as representações seguirão para análise da Procuradoria da Câmara, que avaliará os requisitos necessários para sua admissibilidade. Após essa análise, cabe ao plenário decidir se dará continuidade à abertura de uma comissão processante, conforme esclarecido pela presidente da Casa, Paula Calil, do PL.
