Iniciativa visa garantir a qualidade na formação de profissionais da saúde no Brasil
No estado de Mato Grosso, o ministro da Educação, durante uma coletiva de imprensa, anunciou uma medida rigorosa: universidades que obtiverem notas baixas no Enamed não terão acesso ao FIES, o Fundo de Financiamento Estudantil. Segundo suas palavras, “Vamos proibir o FIES esse ano. Não vamos ofertar o FIES para estudantes nessas universidades com nota 1 e 2. Elas são importantes para o país, mas queremos qualidade na oferta desses cursos”.
A declaração do ministro reflete uma preocupação crescente com a formação dos profissionais de saúde no Brasil. Ele destacou que a sociedade não pode aceitar a formação de profissionais mal preparados, pois isso pode comprometer a qualidade do atendimento em unidades de saúde. “Um profissional mal formado estará atendendo pessoas em postos de saúde, e isso é inaceitável”, enfatizou.
A crítica se estende às instituições que, segundo o ministro, cobram altas mensalidades, que podem variar de R$ 12 mil a R$ 15 mil, mas não oferecem a qualidade necessária na formação. “Esses cursos terão um prazo, estão suspensas a ampliação de vagas, e terão até o próximo Enade, agendado para outubro, para corrigir e melhorar a qualidade da avaliação”, informou Santana.
O contexto dessa decisão surge após a divulgação dos resultados do Enamed, que revelou que mais de 30% dos cursos de medicina enfrentaram reprovação. O Ministério da Educação (MEC) já havia sinalizado a aplicação de penalidades às instituições que não atingissem níveis adequados de avaliação. As universidades envolvidas serão notificadas e terão um prazo de 30 dias para apresentar recurso contra os resultados.
Entre as instituições atingidas por esta nova medida, a Universidade de Cuiabá (Unic) obteve conceito 2, enquanto o Centro Universitário Estácio do Pantanal (Unipantanal) obteve a nota mais baixa, conceito 1, e agora faz parte da lista de instituições que entrarão em supervisão pelo MEC.
A decisão do Ministério da Educação é parte de uma estratégia mais ampla para assegurar que a formação de médicos no Brasil atenda aos padrões exigidos e, assim, garantir que a população tenha acesso a profissionais capacitados. Essa abordagem se torna ainda mais relevante em um momento em que a qualidade do ensino e a formação dos futuros profissionais de saúde são questões centrais nas discussões sobre a saúde pública no país.
Além disso, a sociedade espera que essa iniciativa leve a um cenário de melhorias significativas nas instituições de ensino superior que, até agora, não têm entregado uma formação condizente com as exigências do mercado de trabalho. A relação de confiança entre a sociedade e os profissionais de saúde depende da qualidade da educação que esses profissionais recebem.
