Decisão Judicial e Contexto Econômico
A juíza Giovana Pasqual de Mello, da 4ª Vara Cível de Sinop, retirou uma propriedade rural de 507 hectares pertencente ao deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União) de um processo de recuperação judicial que envolve a empresa Canteiro Agrícola, acumulando dívidas que chegam a R$ 22,7 milhões. A propriedade, situada na Gleba Nhandu, em Novo Mundo, a cerca de 760 km de Cuiabá, foi arrendada para a Canteiro Agrícola. A empresa alega que este bem é essencial para suas operações.
Nos detalhes do processo, “bens essenciais” são definidos como aqueles que a empresa em recuperação utiliza para suas atividades, como veículos, imóveis e maquinários, que não podem ser vendidos durante o processo. O deputado esclareceu que o contrato de arrendamento foi encerrado com a colheita da safra 2024/2025, e atualmente outra empresa ocupa as terras, o que levou à decisão judicial.
A juíza destacou que os fundamentos que justificaram a inclusão da propriedade nos registros de bens essenciais não se sustentam mais. Em uma vistoria realizada em 10 de outubro de 2025, foi confirmado que a última colheita, que consistia em milho, já havia sido totalmente colhida, além do registro da presença de terceiros na área. A Canteiro Agrícola, por sua vez, não conseguiu comprovar a essencialidade de duas SUVs que a empresa alegava serem indispensáveis para suas operações.
O Processo de Recuperação e a Situação dos Credores
A Canteiro Agrícola apresentou um plano de recuperação judicial, detalhando suas propostas para o pagamento da dívida de R$ 22,7 milhões, incluindo possíveis prazos e deságios. Enquanto isso, a empresa está protegida de cobranças judiciais referentes a essas dívidas, uma situação conhecida como “stay period”, uma das vantagens do processo de recuperação judicial.
A lista de credores é extensa e inclui instituições bancárias e empresas do setor agrícola, com valores que variam consideravelmente. Entre os principais credores, o Banco Santander destaca-se com dívidas de aproximadamente R$ 4 milhões, seguidas por outras empresas que fornecem insumos e serviços agrícolas. A relação completa dos credores expressa a complexidade da situação financeira da Canteiro Agrícola.
Os dados revelam que a dívida com o Banco Cooperativo Sicredi, por exemplo, ultrapassa R$ 5 milhões. Outros credores incluem a Matupá Comércio de Sementes, Nativa Agronegócios e diversos fornecedores de máquinas agrícolas e serviços relacionados ao agronegócio.
As dificuldades financeiras enfrentadas pela Canteiro Agrícola não são isoladas, refletindo um cenário mais amplo que afeta o setor agrícola como um todo em Mato Grosso. Especialistas alertam que a recuperação judicial é uma alternativa que, embora ofereça um fôlego para empresas em crise, também pode indicar fragilidades financeiras que precisam ser cuidadosamente geridas.
Desafios e Perspectivas no Agronegócio
O caso do deputado Dilmar Dal Bosco e da Canteiro Agrícola destaca a importância da gestão adequada dos recursos e das operações no agronegócio. Com a alta competitividade do setor e as oscilações de mercado, a recuperação judicial pode ser vista como uma medida paliativa, mas não isenta a necessidade de reestruturações profundas e estratégias eficientes para garantir a sustentabilidade dos negócios.
A recuperação judicial, apesar de ser uma ferramenta que resguarda a empresa temporariamente das cobranças, exige que os gestores apresentem soluções viáveis e que consigam reconquistar a confiança dos credores. Assim, a Canteiro Agrícola, como outras empresas em recuperação, enfrenta o desafio de não apenas saldar suas dívidas, mas de se reposicionar no mercado para garantir sua sobrevivência a longo prazo.
